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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Desapareceu misteriosamente de minha vida…


Ela perguntava-me (de olhos bem abertos e, juraria eu, com uma lágrimas prestes a rebolar-lhe pela face) se eu acreditava naquilo. E eu acreditei. Porque chegada a esta idade e depois de ter visto o que vi (esta foi só para dar ares de mulher experiente) eu já acredito em tudo. Como podia eu duvidar que aquele homem tinha entrado subitamente na vida dela, sem súplicas de compromisso nem algemas de presença, para depois desaparecer ainda mais repentinamente? Tenho motivos par não acreditar que se tenha recusado a qualquer conversa explicativa, nem sequer lhe atendendo o telefone? Como posso eu duvidar, se já ouvi (e até vivi) histórias destas.
E enquanto ela falava, aninhada no meu sofá, com as palavras a tropeçar-lhe na boca, eu só conseguia pensar num trecho televisivo que me acompanhou enquanto crescia. Rezava assim: “Desapareceu misteriosamente de sua casa fulano tal e tal, no dia tantos do tanto. Vesti na altura camisa assim e calças assado. A quem souber do seu paradeiro pede-se que informe…”. Recordo-me de medir menos de metro e meio e de assistir a este anúncio na televisão enquanto jantava. Sempre enquanto jantava. Como se aquele momento familiar fosse uma boa altura para nos recordar que algures por aí existia um elo fora da corrente. Aqueles que já passaram os 20 anos partilharão certamente comigo esta memória: os avisos de desaparecimentos emitidos pela Policia Judiciária na televisão estatal, a única existente à data.
O que se passa é que esses desaparecimento diziam em regra respeito a homens de idade avançada, e de não menos avançado estado de demência. Nos de hoje a demência mantém-se (não quero ser rude, mas só pode ser psicopatia), mas os homens estão em idade de acasalar e, pelos vistos, sofrem de uma enorme incapacidade em encarar essa circunstância.
Entram de rompante nas nossas vidas, sem o pedirmos. Enche-nos de mimos e de flores. Alguns apresentam-nos até às famílias. Arrastam-se atrás de nós como cães sem dono, indiferentes ou imunes ao (por vezes aparente) desprezo com que os brindamos. E depois um dia… nada. Primeiro inventam que o cão da prima da tia da avó foi atropelado, e por isso não podem vir jantar. Depois, deixam de ligar. Finalmente, deixam de nos atender. E aqui emergem uma série de dados curiosos e perguntas por responder. Como é que um homem que parecia beber o ar que eu respiro perde instantaneamente o interesse? E porque é que eu, que me sentia até incomodada com aquela sombra constante atrás, dou por mim a sentir a sua falta? Mas, mais importante: porque é que ele nem sequer os tem no sítio para me explicar o desaparecimento?
Note-se que qualquer um de nós é livre de fazer o que bem entenda e gostar de quem lhe dê na realíssima gana. O 25 de Abril trouxe-nos a liberdade política, mas há muito que a liberdade emocional fez a sua revolução. Não podemos exigir que ele esteja aqui connosco. Mas podemos exigir uma explicação. Uma razão. Que não gosta de nós. Que perdeu a pica. Que conheceu uma modelo de 1,80m. Que descobriu que afinal é gay. Que lhe apareceu uma borbulha no lábio e não poderá dar beijos durante os próximos 4 anos. Sei lá, qualquer coisa. Mas que apareça, que dê sinais de si, que mostre algum respeito por quem está do outro lado.
Eu própria já desapareci. E não me orgulho disso. Creio que lhe dei uma explicação concludente, mas nem disso estou certa. Porque o fiz? Porque a sua mera presença me dava urticária. E foi mais ou menos isto que lhe disse. Sei que não é muito explícito, mas nem eu própria sabia mais do que isto. O importante, sublinho, é que eu apareci. Tive a tal conversa. Quero com isto dizer o que já repeti milhentas vezes: eu tenho-os mais no sitio do que quem nasceu com eles.
Durante estas minhas reflexões ela continuava agitadamente a falar. E a atirar hipótese para o ar. E se…? E se esse…? E a massacrar-se por pensar que a culpa fora dela. Pode a situação ser mais surreal?
Novo anúncio: “Desapareceu subitamente de minha vida um homem que eu nem queria nela presente. Nem me recordo do que vestia na altura. Agradece-se a quem tiver notícias dele que as guarde para si porque eu, francamente, estou-me nas tintas”.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O PLANO B

Há muitos dias atrás (não sei se meses se anos, é como se o relógio do tempo se tivesse derretido quanto a esse período da minha vida) alguém me avisou que eu deveria ter um plano B.
E eu, que era naif e estava apaixonada, olhei-o como se ele me falasse da descida da Virgem Maria à terra. Um plano B?
Sim, um plano para o caso das coisas correrem mal entre nós, respondeu ele.
Nesse momento fiquei renitente, quase magoada com tamanha falta de fé (isto vindo de mim, que sou agnóstica). Mas hoje tenho esse conselho como uma das minhas maiores lições de vida. De facto, há que ter sempre um plano B. Porque as pessoas falham. Os sentimentos falham. E nós temos que cair de pé. Como um gato. Não sobre as 4 patas, mas sobre os 2 pés e os 2 sapatos.
Não quer isto dizer que não se goste. Ou sequer se que goste menos. Mas não nos devemos dar por inteiro. Nem acreditar por inteiro. Nem confiar por inteiro.
Penso que é do conhecimento público que eu sou estupidamente fiel. Quase me torno aborrecida com tamanha monogamia. Por principio e por gosto. Acho sexy, e “prontos”. Mas hoje tento rodear-me de pessoas que me possam fazer feliz na súbita ausência do outro. Porque, acreditem, o outro vai-se ausentar. E não tem que ser sequer por motivo de força maior. Basta que invoque assuntos familiares ou reivindique a vida perdida de homem sem vínculos. E quando isso acontecer temos que permanecer firmes. Como a torre de Pisa, podemos inclinar-nos um pouco (o peso da tristeza não é de desprezar), mas há continuar a inspirar e a expirar.
O plano B é conhecer pessoas, estar aberto ao que têm para nos dizer, acreditar que podem ser igualmente interessantes. É poder ter opções. É alargar a vista para além da sombra dele ou dela.
Ele vai viajar com um amigo? Pois eu vou de fim-de-semana com uma amiga. Ele reserva o sábado para o “almoço/lanche/jantar” de família (e todos sabemos que os primos distantes e as namoradas dos irmãos são mais importantes do que as namoradas)? Pois eu aproveito para ir o ginásio pôr-me bonita para o que der e vier. Ele vai passar férias sem mim, quando sabe que eu só não deixo o cansaço vencer-me porque detesto que me levem a melhor? Pois eu decido aceitar o tal convite que se arrasta há séculos.
Sou menos fiel assim? Nunca. Sou menos romântica? Tento não o ser. Sou menos ingénua? Sem dúvida. Sou mais esperta? Só tento sobreviver.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Help!!!!!!!!!!!!!!!!

Ai, ai, ai! Lembram-se de uma certa Catarina que escreve frequentemente acerca das suas neuras, do seu mau feitio, do seu mau humor, das suas rosnadelas e do seu lado negro? Estou preocupada!!! Porque tudo isto visto à luz do artigo do El Mundo... Enfim... AHHHHH!

http://www.elmundo.es/elmundosalud/2009/07/02/neurociencia/1246557160.html