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terça-feira, 6 de outubro de 2009

UM AMOR COMO NOS FILMES


Aqueles que nós que crescemos rodeados de livros e de filmes queremos isso mesmo: um amor de conto de fadas, um amor como nos filmes.
Nos filmes tudo é perfeito. Pode começar por não ser. Pode terminar por sê-lo ainda menos. Mas mesmo de forma dramática e bizarra, mesmo que a heroína morra e o herói se suicide, tudo acaba por ser perfeito. Recordo-me de uma musica: “many people take second best ...But I won't take anything less ...It's got to be perfect”. Não sou completamente naif (apenas medianamente). Sei que perfeição não existe, até porque só seria possível se também eu, a contraparte, fosse perfeita, coisa que estou longe de o ser. Mas podemos ansiá-la. Desejá-la. Trabalhar para ela. E não nos ficarmos por menos do que isso. Esta é a herança que os meus pais me deixam, com um casamento feliz de 30 e tal anos. Pesada herança esta! Convenhamos que a fasquia não está nada baixa…
Suponho que o mito da perfeição seja alimentado também pelos fracassos anteriores. Quando se sai de uma relação desastrosa pensamos em não cometer os mesmos erros. No meu caso, o principal erro foi acreditar que as coisas iriam melhorar. Ele hoje desmarcou? De certeza que amanhã não faz o mesmo. Ontem confidenciou-me ter dúvidas? Passarão com o tempo. Tenho a sensação de que ele não gosta o suficiente? Vaia acabar por gostar.
O catolicismo ensina-nos, desde o berço, a ter fé. Eu não a tenho em Deus, porque não tenho a certeza de que exista (mas, pelo sim pelo não…), porém, tenho muita fé nas pessoas de carne e osso que me rodeiam. E depositei nele toda essa fé. Acreditei que aquele amor iria superar todas as “feridas de guerra” e, tal como nos filmes, sairia vencedor. O que se passava era que o tal amor era só meu. Não havia um “nós”, um “nosso”. Apenas um “eu” à espera que o “ele” despertasse um dia e, como por magia, se apercebesse que eu estava ali. Nunca aconteceu. Não se iludam: nunca acontece.
Depois disso percebi que o que nasce torto, torto morre. Por isso hoje quero coisas perfeitas. Já não espero que o venham a ser, mas exijo que o sejam desde o inicio. Nos momentos de lucidez apercebo-me que estou errada. Até tenho noção disso. Mas – e não pretendo aqui invocar justificação alguma para as minhas fantasiosas exigências – a verdade é que já não tenho nem disponibilidade nem disposição para esperar que o imperfeito se torne perfeito. Falta-me tempo e força anímica para aguardar pacientemente que ele olhe para mim, realmente para mim, e veja o fantástica que sou e como goste dele. Ou percebe isso imediatamente ou eu tenho que ir procurar o filme da minha vida.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

BAD BOYS


Desde tempos imemoriais que as mulheres gostam de bad boys. Por algum motivo as princesas abriram as portas da torre aos príncipes que matavam dragões com as suas lanças e não àqueles que faziam festinhas aos bichinhos e lhes davam leitinho.
Ainda hoje são os maus rapazes que nos dão volta à cabeça. Recordo uma amiga que, perfeitamente desesperada, me falava do seu dilema durante um jantar: ficar com o homem que a tratava como uma princesa, ou com o sacana que a desprezava? O primeiro era um tipo amável e gentil, que queria conhecer a filha dela, pormenor este capaz de derreter qualquer mulher. Para evitar que a coitadinha se levantasse e fosse a correr para a casa lavar a cabeça com o seu champô especial para cabelos pintados e untar-se com o seu creme especial para peles secas, chegara ao ponto de encher o armário da casa de banho dele (e todas sabemos como eles veneram o espaço dos respectivos armários, com os diversos frascos de after-shave e comprimidos comprados pelas mamãs) com os ditos produtos, tudo da melhor qualidade, e especificamente dirigidos para mulheres de cabelos pintados e pele seca. Já o outro… bem, o outro, tinha namorada, ou melhor, tinha “espécies de namoradas”, recebia telefonemas estranhos durante a noite, ignorava-a em público, tratava-a com rispidez e aparecia e desaparecia conforme lhe desse na cabeça. Porém, ele era um bad boy, de modo que todas estas gafes se tornavam aspectos deliciosos de um rufia da pior espécie.
Que digo eu disto? Been there, done that… and than I grew up.
Tive a minha época áurea de maus rapazes, onde qualquer tipo que desafiasse a ordem estabelecida e se tornasse inacessível aos meus encantos me parecia a 8.ª maravilha do mundo. Assim se explica que tenha aguentado um namorado libanês que só faltou enfiar-me numa burka, ou um outro que me traiu com meia cidade e tentou com outra meia. E eu perdoava constantemente, na esperança de ser eu, euzinha, a tornar aqueles meninos maus em meninos bons. Porque acho que no fundo é isso que nos leva a gostar deles: a expectativa de sermos salvadoras da pátria, heroínas nacionais de um coração rebelde.
Gente problemática é muito mais interessante do que gente com boa onda. Vejam-se os romances de filmes e livros: não há histórias de amor que nos falem de relações pacificas e felizes. São todos amores tortuosos, com parceiros abusivos, cheios de traumas de infâncias, que descarregam nas virtuosas donzelas ódios pela mãe, pela prima, pela tia e pela avó. Se nos filmes é assim, é óbvio, mas óbvio mesmo, que na vida real não pode ser de outra forma. As mulheres gostam de coisas complicadas. Por isso procuramos relações que nos fazem viver no abismo, onde nunca sabemos o que pode acontecer, não sabemos onde pode ele estar, com quem, em suma, quando nos vai deixar. E é esta adrenalina que vai alimentado a nossa paixão, há falta de alguma coisa mais substancial que o faça.
E quanto mais inteligentes são as mulheres, maior o grau de complicação que procuram. Dito isto, confesso que devo estar a “desinteligentar”. Porque hoje em dia o que me arrepia são os bons rapazes. Os que nos revelam valores e princípios que nós desejaríamos ter. Os que nos levam o pequeno-almoço à cama. Os que aguentam pacificamente as nossas horas de compras sentadinhos na esplanada, prestes a definhar. Os que desmarcam jantaradas com amigos só para nos fazer festinhas na barriga porque estamos doentes. Hoje que vão até ao fim do mundo para comprar o champô que melhor cuida dos nossos caracóis. Hoje acho isso tremendamente apelativo aos sentidos
Ainda me recordo da noite em que jantava com o meu “good boy” e lhe perguntei porque carga de água tinha decidido agora, já trintão e com uma carreira estabelecida, mudar completamente de vida e tirar finalmente o curso que sempre sonhara desde pequenino. Enfim, porque não o tinha feito logo com 18 anos, como o comum dos mortais, e perdera tanto tampo num trabalho que não apreciava particularmente? “Porque o curso é caríssimo – respondeu ele – e depois de tudo o que os meus pais fizeram por mim não lhes podia impor mais este encargo absurdo”. E eu babei. Note-se que não foi por causa do bolo de chocolate que tinha à frente, mas por causa da rectidão moral do homem que tinha à frente.
Não há coisa mais sexy do que gente com valores, que sabe bem de onde vem e para onde vai, que me olha como uma princesa e que trata os dragões que tenho comigo (e já são 4) como se fossem bichinhos de estimação.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Suddenly...

... I hear your voice in my skin and it feels like...

(In: http://img242.imageshack.us/i/455050gr.jpg/ )

terça-feira, 28 de julho de 2009

Cinco Segundos de Sinceridade

Sabem o que me deixa perdida? As pessoas que se desviam do registo conseguido com base na boa fé! Imaginem um homem e uma mulher que ao longo de uns meses (loooooongos meses) tentam começar uma relação de casal (o que não resulta), tentam ser amigos (o que também não resulta), tentam começar uma relação de casal (que mais uma vez não resulta) e por aí fora. Estão a ver um padrão?!?!? Então, depois de muito trabalho, limar de arestas e aperfeiçoamentos, chegam à conclusão que o que resulta entre os dois é: sexo! Sexo com direito a tudinho o que são acrobacias e fantasias! É um acordo honesto e que resulta para ambas as partes. Certo? Errado!!! Porque uma das partes lembra-se de atirar com uns "gosto de ti" e uns "estou sempre aqui" e outras pérolas que tais!!!
E aqui se coloca o problema acerca do qual escreve a Vera. O que esperam as pessoas? Que as outras não estejam a ouvir? Que não estejam a dar importância? Que se esqueçam? Que ajam sem processar a informação Eu até sou das pessoas que acredita mais na teoria de que o que é dito é-o com sinceridade profunda naqueles momentos do que na teoria da leviandade... Mas, mesmo assim... A minha Verinha tem razão, é preciso ter cuidado com as palavras. Muito cuidado.

domingo, 26 de julho de 2009

A BOY’S GIRL

Sempre fui a boy’s girl. Não Maria-rapaz, note-se. Enfim, admito que na minha infância e nos primórdios da adolescência cheguei a ser confundida com um rapazinho. O cabelo curtinho não ajudava (obrigada mãe!), mas a certa altura transformei-me numa Barbie. E digo isto sem vergonha. Vivo na futilidade dos trapos, dos batons e dessas coisas todas que fazem os homens vomitar. Ainda assim – e isto é que é verdadeiramente surpreendente – sempre fui uma menina de meninos. Mais amigos que amigas. E bem mais próximos. A minha melhor amiga foi, e é, um menino, e com isto penso que digo tudo. Não meninos que me acompanham na secreta esperança de tirar uma lasquinha, de algum hipotética romance ou, que mais não seja, umas voltinhas de quando em quando. Nada disso. Falo de meninos que me vêm algures entre “um gajo sem pilinha que vai connosco para todo o lado” e a “irmã mais nova que há que respeitar”.

Nestes termos tenho visto intermináveis jogos de futebol (estou um autêntico Rui Santos… até pelos caracóis…), feito de motorista com o carro cheio de marmanjos bêbados (sendo que todos sabem que no meu carro ninguém vomita), chorado baba e ranho nos seus ombros (e nunca esquecerei aquelas palavras de consolo, que oscilam entre o kitsch/lamechas e o absolutamente destrutivo).

Esta é, provavelmente, a primeira altura da minha vida em que começo a acompanhar mais com mulheres. Até à data a ideia em si mesma dava-me alergia. Não me que falte assunto. Desde logo, sempre posso falar de sapatos, e temos conversa para uma semana. Não que me sinta ameaçada, ou elas por mim. Aliás, se há coisa que aprendi nestes últimos meses é que a tão falada rivalidade feminina é um mito urbano. Não nego a sua existência (yo no creo en bruxas, pero…), mas até aqui só me deparei com mulheres fantásticas que serão sempre, nas suas particularidades, “role models” para mim.

Mas a verdade é que nada disto me faz esquecer os meninos. E por isso mantenho o hábito de passar tempo sozinha com eles. E cada vez que isso sucede fico destroçada pela angústia de nunca me ter apaixonada por nenhum… nem eles por mim. Porque os meus meninos são os melhores homens do planeta. Admito que alguns deles encaixam no protótipo do “filho da puta”, que nem todos foram sempre correctos e gentis para com as mulheres do mundo. Mas em todos eles descubro pedacinhos da minha meia laranja. Será que os posso cortar e cozer, construindo um home-made namorado? Se o Dr. Frankenstein o fez, porque não eu? Será que tenho procurado nos amigos aquilo que não encontro nos outros homens? Mas, nesse caso, porque motivo então nunca houve click com nenhum deles?

Já me chegaram a dizer que a minha excessiva proximidade masculina me prejudica mais do que me beneficia. Porque conheço demasiado os homens (o que nunca impediu que caísse como as outras). Porque coloco a fasquia ao elevadíssimo nível dos meus melhore amigos, que são uns fora de série, e como a maior parte dos homens fica muito aquém desse limiar acabo por ter expectativas demasiado altas que depois saem goradas. Porque estar sempre acompanhada com meninos funciona como repelente para o restante público masculino.

Provavelmente tudo isto é verdade. Pelo menos, dava-me jeito que fosse, e com isso encontrava já uma explicação para muita coisa. Ainda assim, e embora aprecie uma tarde de compras com as amigas, nada bate as noites no meio deles, muitas vezes com a minha integridade física em risco, nas mãos de alguma nina mais ciumenta.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A EQUAÇÃO DO AMOR

O texto da Vera:):


Hoje conheci uma mulher. Simpática, creio eu. Não especialmente bonita. Até lhe encontrei alguns traços grosseiros e as pernas feias. No entanto, senti inveja dela. Não que lhe deseje algum mal ou que lhe queria roubar a sua boa-fortuna. Invejo-a porque admiro o que ela tem e queria tê-lo para mim também. Porque aquela mulher era muito amada. This much I know.
Vi-a com o marido. Ouvi a forma como ele falava dela e como a olhava. Vi como lhe dava a mão debaixo da mesa, como o olhar dele procurava sempre o dela. Não viajava sem ela, contou-nos. Foi amor à primeira vista, contou-nos. Soube imediatamente que ela era Ela.
Apesar de ter seguido ciências sociais sempre tive alguma apetência pela matemática. E não querendo tomar o lugar de algum neo-Einstein devo dizer que reduzi o amor a uma equação matemática que penso traduzir com exactidão aquilo que deve suceder:

Dedicação X Paixão X Dedicação Y Compromisso Y

________ + _____ = ___________ ________
Compromisso X Respeito X Respeito Y Paixão Y

Se o X for o Eu e o Y for o Ele, então, aquilo que eu lhe dou terá que corresponder àquilo que ele me dá em troca. Já fiz parte de uma equação desacertada. Se há coisa que aprendi é que não funciona. Quando assim sucede - quando de um lado sobrarem milésimas, centésimas, décimas, unidades mesmo, - é porque a equação está incorrecta e aquele suposta meia laranja é apenas uma laranja podre que nos vai acabar por amargar a boca. Solução: substituir aquele Y por outro que permita um resultado perfeito.
Podem filosofar à vontade sobre o amor, mas uma coisa é certa, no finalzinho aquilo que eu dou não pode ser mais (nem menos) do que aquilo que recebo. Matemática pura.
Ou talvez não… afinal, se 2 mais 2 nem sempre são 4, provavelmente no amor nunca são 4… Confesso que já tive dias mais felizes, de modo que hoje não estou na plena posse das minhas faculdades intelectuais. Será que no amor nada é mensurável? Será que se pode viver numa relação em que o meu 100 tem como equivalência um 0 da parte contrária? Será que a lógica matemática deixa escapar as pequenas nuances humanas? Se calhar nada disto é explicável. Não sei. Mas pelo menos uma coisa eu sei: Hoje conheci uma mulher. Era muito amada. E eu senti inveje dela.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

F****

Um dia vão cozinhar para mim. E fazer-me pratos de fruta. Com mel. E preparar-me as bebidas que eu gosto. Sabendo melhor do que ninguém de que bebidas eu gosto. Vão levar-me o pequeno-almoço à cama. Com um pão com formato de coração. Vou receber declarações de amor em forma de pacotes de açucar enfiados na minha caixa de correio. Um dia vão-me oferecer flores de papel. Flores de papel por tudo e por nada, em cima da cama, na fechadura do carro, no cabelo. Vão-me cantar e tocar guitarra. Vão-me aparecer à porta, a meio da noite, de surpresa. Um dia vou namorar à varanda. E alguém vai fazer quilómetros para estar comigo.

Turn-Off Total

Eu e a Vera utilizamos frequentemente este conceito, o do turn-off total. Nem sei se existe ou se fomos nós que o inventámos. Mas utilizamo-lo para descrever pormenores masculinos, físicos ou de carácter (ou mesmo de acessórios, como prova a minha "paixão" pelas pochetes), que eclipsam à partida qualquer desejo (tesão, vá) nosso em relação a quem os possui.

Porque é que me lembrei agora disto? Porque hoje já vi três homens a cuspir para o chão. E ainda agora estamos na hora de almoço. Se todas as mulheres forem como eu e a Vera, é óbvio que estes três homens terão uma vida muuuuuito triste pela frente. Muito, muito, muito triste. E seria bem feito!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Um Blog de Homens...

Apesar da minha já conhecida vontade de hibernar, hoje já me ri! Vão espreitar:

http://cuidadoaoabrir.blogspot.com/

terça-feira, 14 de julho de 2009

Pérola de Elogio

Um destes dias, durante um diálogo que tinha como objectivo convidar-me para tomar café, atiraram-me com um "Você tem cara de menina, mas já não é nenhuma menina". Você-tem-cara-de-menina-mas-já-não-é-nenhuma-menina?!?!? E espetar-me uma faca directamente no coração, não?!?!? E "prontos" assim morreu um potencial grande amor.

MANIFESTAÇÕES PÚBLICAS DE CARINHO

Minha gente, eu tenho a sorte de ser a primeira a ler os posts da Vera (e este, adorei!!!!). E porque é que nós somos tão complicadas, perguntam vocês? Porque envia a Vera os posts para mim, para eu os colar, em vez de fazer parte do painel do blog e escrever aqui directamente? E a resposta é: porque eu sou totó! Sou mega totó, aliás!!! Não consigo descobrir como lhe enviar o convite para o blog!!!! Que alguém me ajude!


Não tenho a mínima intenção de limpar as vísceras do meu “significant other” com a língua em locais públicos.
Assim como não baixo as calcinhas para fazer xixi no meio do bar nem aproveito o momento em que estou estendida na toalha, em plena praia, para palitar as fissuras dentárias, não faço questão que me lambuzem ou me toquem mais intimamente quando exista assistência por perto. Mais. Confesso até que fico incomodada quando sou forçada a presenciar esses episódios XXX ao mesmo tempo que bebo o meu Delta ou danço no meio da pista. Mas já confirmei que sou antiquada, logo… gimmy a break.
Isto que ficou dito acima é uma coisa.
Coisa diferente é a total proibição de manifestações de carinho em público.
Aquele beijinho tão rápido como um choque eléctrico, as mãos dadas ao andar (convenhamos…. nem sempre, mas por vezes), um abraço quando faz falta….? Porque não?
É ofensivo? É-o tanto quanto passar a mão pelo cabelo, porque em boa verdade é do mais natural que há. O ser humano foi feito para viver em comunidade, seja na sociedade de milhares seja no “couple” da cumplicidade a dois. Se não me coíbo de coçar aquela comichãozinha na ponta do nariz, porque me hei-de inibir de passar a mão pelo cabelo dele?
É embaraçoso? Apenas para quem é inseguro, em si mesmo ou no que toca à vida em conjunto. Se é verdade que não faz sentido publicitar por megafone que se está com alguém (e não temos todas amigas que gostam de nos gritar ao ouvido cada nova conquista???), também é certo que quando ele procura esconder o acontecimento do mundo lá fora é porque na verdade nada aconteceu senão no país da fantasia que reina nas nossas cabecinhas românticas.
Vai tornar-se alvo das piadas dos amigos? Nesse caso aconselho a procurar novos amigos, que preferencialmente já tenham saído da adolescência e das infindáveis horas sozinhos na casa de banho com a mão amiga que nunca os deixa mal.
Pela minha vida já passou de tudo, desde o namorado meloso que não me larga o pescoço (xooooo, chega para lá miúdo!) até ao namorado com problemas afectivos, não sei se por falta de carinho em terna idade (e sabe tão bem culpar os pais de tudo, não é?) ou porque é, simplesmente, néscio. Mas o que eu gosto é do in between, que me deixa respirar sem sufoco mas que está pronto para me sufocar ao mais leve olhar meu.
Quem se vira para mim no meio de rua e me diz, com a maior cara de pau (como sou uma senhora, não lhe posso chamar outra coisa), que se sente desconfortável com manifestações de carinho em público, e retira abruptamente a sua grande mão (sempre… gosto de homens grandes) da minha mão pequenina, merece só uma coisa. Só uma. Uma boneca insuflável. Que não lhe dê a mão, nem lhe pergunte se está triste, nem o arraste para compras, nem lhe apresente amigas chatas, em suma… que não o incomode. Na falta de boneca, ou caso se sintam desmotivadas pelo preço das ditas, aconselho uma alga. As algas fazem o mesmo efeito. E ocupam menos espaço. Em qualquer das hipóteses, será certamente menos embaraçoso e incomodativo para eles passar na rua com a boneca ou a alga. Asseguro que nenhum delas lhe agarrará na mão.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

When My Dog Met Yours

Eu tenho um amigo, o João Vasco, que me prometeu que um dia destes, quando se sentir inspirado, escreverá um texto aqui para o blog para contar esta história na primeira pessoa. Mas eu não resisto a partilhar um pouco do que falámos hoje, porque foi das coisas mais enternecedoras que ouvi nos últimos tempos. Daquelas que nos ajudam a manter alguma esperança na felicidade :)!
É que o João Vasco conheceu alguém e está feliz. E quando converso com ele essa felicidade nota-se a léguas! E faz-nos sentir bem! E ele hoje disse-me: "Agora andamos na fase de apresentar os nossos cães". A fase de apresentar os cães!!!! Porque se está feliz com a pessoa que tem aquele cão e se tem esperança de se continuar feliz ao lado da pessoa que tem aquele cão, vale a pena a tentativa de socializar o dito com o nosso próprio cão, com todos os latidos, rosnadelas, babadelas e mordidelas que isso possa implicar :)!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Tal como o whisky, some things should never change

A Vera, nossa correspondente (agora) no estrangeiro :)!

Sou antiquada, admito. Gosto que um homem me ofereça flores e me abra a porta do carro. Isto é tão mais chocante quando se sabe (conto-vos agora) que sou conhecida em certos quadrantes como uma feminista ferrenha (seja lá o que isso signifique). Afinal , escrevi uma tese de algumas centenas de páginas sobre o assunto e ainda perdi um par de noites de sono a pensar na igualdade, ou na falta dela. De modo que do epíteto de feminista já não me livro.
Mas o facto de não aceitar que homem algum seja tratado com mais respeito e lhe seja reconhecido mais mérito do que a mim, pela simples diferença genética que separa o seu gene Y do meu par de X, não impede que continue a esperar o tratamento que me corresponde por ser menina.
Mais uma vez, repito, não quero regime de favor. Não pretendo ser dispensada de cumprir serviço militar, nem anseio por promoções profissionais baseadas na profundidade do meu decote. Mas quero, isso sim, que no trato social e, mais propriamente, no trato intimo, me tratem com a gentileza que desde sempre marcou o comportamento dos cavalheiros para com as senhoras.
Ambígua? Talvez. Admito que não aceito com igual júbilo todas as inúmeras maravilhas que a igualdade nos aportou. Admito umas, outras nem tanto. Mas, desculpem-me meus senhores, convidar uma menina para jantar e no final esperar que ela pague a conta? (silêncio destinado à reflexão)…………………………………….
Um homem – que tanto pode ser aquele que nos rodeia à espera de dar uma trincada, como o amigo fiel de há anos, para o caso é indiferente, embora, claro está, as represálias sejam substancialmente mais gravosas no primeiro exemplo – mas um homem, escrevia eu, deve levantar-se para ceder o lugar a uma senhora (tal como eu me levanto perante a grávida ou o senhor de bengala), deve ir buscar bebidas e cafés, deve deixar a propina no restaurante, deve carregar com as malas, deve discutir com o arrumador de carros, deve apanhar-me o casaco do chão, deve levantar o braço para chamar o empregado e pedir a conta, e milhares de outras pequenas coisas que seria impossível relatar aqui, mas que qualquer um com dois dedos de testa (preferencialmente, com conhecimentos sobre a alegoria da caverna) saberá reconhecer no momento. Muitos deveres? Não nego. Mas não acho que seja impor demais a quem já escapou ao fardo da menstruação e da depilação das virilhas.
Ou seja, eu quero um cavalheiro. Não garanto que seja senhora à medida para o merecer. Tento sê-lo todos os minutos da minha vida. Confesso que há momentos em que perco a graciosidade e a gentileza e me porto como um camionista (aqueles que já me viram comer depois de algumas horas esfomeada sabem bem do que falo). Mas quero ser uma senhora. Quero ser uma Scarlett. Tinha mau feitio (talvez por isso me reveja tanto nela), é certo, mas também não está escrito que as ladies tenham que ser um pãozinho sem sal. Era, indubitavelmente, uma senhora. E Red Butler, no alto do céu cigarro e do seu sorriso trocista, um cavalheiro. Não obstante já não estarmos no tempo das saias de balão e dos espartilhos, continuo a achar que há coisas que não devem mudar nunca. Como o whisky (que não bebo) e os cavaleiro andante (por quem espero).

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Apanhando do chão pedacinhos do meu coração

A Vera... E não há mais nada a dizer... Eu assino por baixo, Verinha.


Há dores imensas no mundo. Tenho uma tatuagem no fundo das costas que foi sentida como se uma lâmina em brasa me retalhasse a pele. Dizem que deixar a pilinha presa no fecho das calças implica uma dor acutilante… mas aqui vou ter que confiar nas palavras de quem o conta.
Tenho para mim que a maior dor de todas é partirem-nos o coração. Ele cá está, pequenino e vermelho, a bombear sangue e a manter-nos vivos. Mas um dia … CRASH…Rompe-se em mil pedaços, que caem no chão, e ficam as pontas aguçadas a espreitar lá de baixo para nós, prontas a espetar-se-nos no pé a cada passo mal dado. Não é só o momento em que coração se parte. Não é só a ausência, o viver sem ele. É o ter que andar pé antes pé para não nos magoarmos mais. A partir daí vivemos em piloto automático. Como um avião que ande pelos céus a voar sem rumo. Acordamos, expiramos e inspiramos, comemos (às vezes) e dormimos. Piloto automático porque já não esta o coração. Tentamos conhecer pessoas. Sair à note. Distribuir misteriosos sorrisos de Mona Lisa. Substituir quem perdemos por alguém novo. Eventualmente apaixonamo-nos mesmo. Mas não resulta. Porque os tais pedacinhos pontiagudos de coração continuam lá caídos no chão, sem nos deixar saltar nem dançar sem provocar feridas. O instinto de sobrevivência diz-nos que não podemos perder nem mais uma gota de sangue. Por isso aquela nova paixão nem o chega a ser. Melhor não mexermos os pés do que nos magoarmos nos estilhaços.
A segunda dor maior a seguir a esta é vê-lo com a outra. Onde ela, nós estivemos. Onde ela dorme, nós dormimos. Vê-lo é como andar descalça em cima dos pedacinho de coração partido.
Não lhe desejamos mal. Seria bem mais fácil ter-lhe raiva, rancor. O ódio sempre funcionou como uma grande arma de defesa e de recuperação. Tão-pouco gostamos já. Tudo o que um dia existiu já desapareceu. Afinal, ele partiu-nos o coração. O único que tínhamos. A Zara ainda não os vende. Nem sequer a D& G lançou algum último modelo de corações. Não sentimos nada. Isso é o pior, não sentir nada. Mas fica a ideia de que aquele foi o nosso lugar. E, sobretudo, um grande sentimento de frustração. Será que as rupturas amorosas nos lançam em desenfreada competição com os ex’s? Será que tudo está em saber quem se apaixona primeiro? Quem reconstrói a vida antes? Será que naquela noite, quando o vi de mão dada com ela, tudo teria sido diferente se eu tivesse uma mão na minha também? Não sei… porque não tinha. Só sei é que foi ele que me partiu o coação a mim e não o inverso. Mas agora é ele que tem alguém ao lado enquanto eu passo as noites sozinha a tentar não pisar os cacos. Onde está a divina justiça no meio disto tudo? Então ele não devia ter sido condenado pelo Tribunal dos Corações Partidos a nunca mas gostar de ninguém? E a mim, quem me arranja um coração novo? É que eu fiquei estragada. Sou a mercadoria estragada na última prateleira da loja. E ninguém quer uma mercadoria danificada. “Desculpe, venho devolver esta menina. Parecia perfeita mas falta-lhe aqui o coração, está a ver? Está a ver este buraco? Troque-a por outra por favor. Esta já não presta”.
As pessoas são muito engraçadas. Têm mil cuidados com as jóias de família, com jarrões de porcelana chinesa, com vasos de cristal. E depois usam-se umas às outras como se fossemos bonecos de borracha ou feitos de material inquebrável. Não há nada mais frágil do que uma pessoa. Estraga-se com um simples toque, não vem com peças subselentes, e é absolutamente insubstituível.
A única virtualidade de o ver com ela, a olhar para ela como um dia olhou para mim, é a de me obrigar a baixar-me e a apanhar, um a um, os pedacinhos de coração caídos do chão. Depois, percorrer meio mundo procurando uma cola sucintamente forte para reparar corações. E quando finamente a encontrar reconstruir o puzzle.
Primeiro, porque precisamos de um coração cá dentro para pôr alguma ordem na casa, que isto de viver em piloto automático, mais dia menos dia, provoca uma acidente grave. Depois, porque se caminharmos a vida toda em bicos de pés com medo de nos magoarmos de novo vão-nos passar pessoas lindas ao lado, que tivemos medo de conhecer, não fosse uma das tais pontas aguçadas espetar-se de novo em nós.
Por todas estas razões vos garanto que um destes dias vou finamente encher o meu “buraco negro” com um aglomerado de coração. Preciso dele com urgência. Não quero que os pedacinhos aguçados se intrometam entre mim, aqui quietinha a um canto, e alguma coisa possivelmente fantástica que me esteja a acontecer.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Lamechices

Eu tenho a mania que sou imune à parte cor-de-rosa das relações. Aliás, eu e a Rocío costumamos brincar muito com isso, com as nossas diferenças nesse aspecto. Porque ela gosta de coisas do género de mãos dadas, de grandes declarações, de passarinhos a cantar e de coraçõezinhos pelo ar :). E eu, geralmente, tenho vontade de vomitar com essas coisas!!!! Já sabem, eu sou a tal que não perdoa, sequer, que me chamem bebé, linda ou fofinha! Agora se alguém alguma vez se atrevesse a chamar-me "mor"... Estava o caldo entornado!

Mas acabei agora mesmo um dia de trabalho e vim espreitar o blog. E recebi um comment bonito, anónimo é certo, mas bonito. E aqui a cínica até sorriu!!! Thanks.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A alegoria da caverna

Um novo texto da Vera... Que me inspirou, por isso espero arranjar um tempinho para escrever sobre o mesmo tema esta semana!

“Eu só me vejo com um tipo que ande no ginásio. Olha para mim… achas que me poderia estar com alguém menos activo e mais fraco do que eu?”. Pois… bem pensado… com esse corpo… não te vejo com uma bola de sebo ao lado…
“Verinha, não admito sequer estar com alguém que não possa acompanhar-me aos restaurantes onde gosto de ir e nas férias a que estou habituada”. Mas claro que sim. Pois se tu gostas de comer rabo de boi (já viram o preço do rabo?) em restaurantes de estrelas Michelin e de passar férias em destinos paradisíacos, não me parece justo que te remetas a Mac’s com batas fritas e a uma tenda no parque de campismo de Alguidares de Baixo só porque o teu namorado vive com o salário mínimo.

Tenho pensado naquilo que eu espero da minha meia-laranja. Espero muito. Talvez demais. Mas até ao momento ainda não tinha conseguido individualizar a nota básica, o turn on total, aquilo que me põe de quatro e a arfar. Isto até ao dia em que, no contexto de uma conversa acerca dos meus planos de vida, referi que estranhava que alguns amigos não vissem as virtualidades do meu novo projecto pessoal. Eis senão quando (viciada digo-vos, estou viciada nesta expressão) “ele” se sai com esta: “Isso é como a alegoria da caverna. Eles não estão a ver mais longe”.
STOP
O “ele” referiu a alegoria da caverna??? De repente, o alarme anti-paixões soou na minha cabeça, no corpo todo (if you now what I mean…), na ponta dos pés inclusive. Já é bizarro que alguém conheça a alegoria da caverna. Mais ainda que esse alguém seja um menino. Mas verdadeiramente extraordinário é que seja um menino engenheiro. Sem desprimor para os próprios, note-se. Cerca de 80% do meu círculo de amizades responde por senhor engenheiro (ou senhor licenciado em engenharia, para reviver a encenação no nosso Primeiro). Mas, convenhamos, não são pessoas muito dadas a leituras filosóficas…
Ainda pensei que fosse mera coincidência. Que tivesse ouvido aquilo na rádio ou da boca de alguma miúda em cenário de engate. Mas alguns dias depois atira-me outra à cabeça (e ao coração): o sermão aos peixes do Padre António Vieira.
Fechem a boca. Eu também fechei a minha….depois de apanhar o queixo que na altura me tinha caído ao chão. Primeiro filosofia, agora literatura….o que virá a seguir?
Bailado. Não estou a inventar. Eu, que sou uma apaixonada por ballet clássico, lancei para o ar que gostava muito que ele me acompanhasse a um espectáculo de dança. Quase antevia que o “ele” iria recusar. Não me enganei. Mas recusou explicando que não apreciava ballet, não obstante reconhecer que Nureyev disponha de capacidades físicas extraordinárias. Um soco no estômago não me teria deixado mais abalada. O homem tinha encontrado a ranhura onde meter a moeda que me põe em andamento.

Não me compreendam mal. É claro que eu, que me esforço por combater a lei da gravidade no ginásio, também não me contento com tipos de barriga descaída e duplo queixo. Tão-pouco vejo como provável a assunção do cargo de
“pagadora oficial de contas” ou, em alternativa, conformar a minha vida aos padrões de tasca de 3.º e pensão de lençóis sujos porque o prazer de uma determinada companhia a isso impõe. Mas tudo pode acontecer na vida. Life is just like a box of chocolats, isn’t it?
Ainda assim, por via de princípio, procuro um par de bíceps, cartão de crédito, sentido de humor, 1.90m, experiência de vida, beijos molhados, bons valores sedimentados e tudo mais a que as princesas do conto de fadas têm direito. A este elenco de coisas impossíveis falta, porém, aquele que é o meu turn on fundamental, aquilo que me deixa ofegante e quase tonta: os dois dedos de testa.
As pessoas podem-nos cativar de muitas formas. Quando se fala de príncipes encantados a excitação pode provir dos mais pequenos detalhes, desde o levantar de uma sobrancelha ate um tique nervoso que o faz mexer a boca quando pensa. Tudo isso é lindo. Mas a alegoria da caverna foi o “click”. Nunca Platão imaginou que a sua parábola fosse hoje utilizada como critério identificativo de meias-laranjas. Obrigado por me fazeres sair da escuridão Platão. I see the light now.

terça-feira, 9 de junho de 2009

A Menina Que Não Gosta de Rapazes

Vejam este vídeo que a Helena me mandou! E eu não tenho nada de nada a acrescentar!!!

http://videos.sapo.pt/b4LF9HWgY97CNBGcEY4S

segunda-feira, 8 de junho de 2009

“Sim, aceito ir contigo ao casamento… até que a morte nos separe”

A nossa colaboradora mais inspirada, a Vera, volta a 'atacar' com mais um texto!!!

As meninas crescem com o sonho de um dia um príncipe encantado num cavalo branco (na versão adequada aos tempos actuais: um tipo com emprego, com carro próprio e que tenha saído da casa dos pais) lhes sussurre ao ouvido “Sim, aceito casar-me contigo… até que a morte nos separe”.
Eu, que nunca vivi subjugada aos devaneios de me meter num vestidinho branco de cetim e folhos, fico-me por um anseio bem mais modesto mas igualmente complicado. Estou até em dizer que mais difícil que encontrar um noivo é encontrar acompanhante para um casamento. Um homem pode não se importar de meter a aliança no dedo, fingir ser fiel e pagar-nos as contas; mas quando se trata de engravatar-se e vestir a melhor fatiota para acompanhar à cerimónia (quase sempre entediante) uma menina que não lhes aporte nos pós-casamento nenhum benefício carnal já a história reza diferente.
Exagero? Deixo-vos os factos e digam de vossa justiça:
Estava eu em pleno encontro erótico com o meu sofá, ora me estendo para a direita ora me estendo para a esquerda, quando toca o telefone . Trimmmm!! (vamos usar o toque banal para escaparmos à dificuldade de imitar o som de um bebé a chorar… toque muito apreciado entre os admiradores do kitsch)
“blablabla.. meu casamento…blablabla..gostava muito que estivesses…blablabla… um dia muito feliz para nós”. Como compreenderão, tornou-se impossível recusar a minha presença. Mas logo nesse instante vislumbrei-me algumas dificuldades práticas…
“Então tenho aqui o convite para ti e para o Y” (chamemos-lhe assim para não ferir sensibilidades”
“Ah… eu e o Y terminámos há quase um ano”
“Então para o teu novo namorado”
“Princesa… não tenho. Sou uma mulher emancipada” (disse eu, para não ferir a minha sensibilidade)
“Deixa lá Verinha, vai haver muitos homens o casamento. Quem sabe não encontras lá um para ti”.
Pronto. Estava lançada às feras. Mulher sozinha (e desamparada?) apresenta-se em casamento povoado de homens. Mas a gota de água ocorreu na despedida de solteira. 48 horas a ouvir falar nas maravilhas das respectivas caras-metade: o que cozinham, se passam roupa ou não, onde foram nas férias, onde irão nas férias, e milhentos outros pormenores que só colhem o interesse de quem está apaixonada. Perante a minha ansiedade em dar por findo o fim-de-semana levantaram o sobrolho: “Estás com pressa??? Tens encontro com quem? “ (pois se eu não tenho namorado também não tenho encontros… óbvio… ). Lá expliquei pacientemente (enfim, com a paciência, ou a falta dela, que me é mundialmente reconhecida) que o tinha um tête a tête privado à minha espera em Coimbra, com o PC e vinte mil livros.
“És mesmo workaholic. Eu vou é passar o resto do Domingo a namorar”.
Eu também iria. Se tivesse com quem. Não tendo, fico-me pelo tête a tête. Mas nesse Domingo à noite decidi que não iria ao casório sozinha nem que a vaca tossisse. Ora, como as vacas não tossem, tinha mesmo que arranjar acompanhante.
Depois de muitas recusas – desde o funeral do peixinho até antecipações de doenças, tudo serviu de desculpa – a primeiro a cair na minha rede tentou, num súbito, coup d'état, enredar-me a mim: “O que era giro era que nos apaixonássemos no casamento”. Sabem aquele arrepio que nos percorre a espinha? Senti-o na altura. Antevi cenas embaraçosas em plena cerimónia, olhares melosos durante o jantar sob a mirada atenta dos meus pares (já referi que era um “casamento de trabalho”, cheio de coleguinhas e chefes?), dramas alimentados pelo álcool, telefonemas no dia seguinte…”Sabes que mais? Pensando bem vou sozinha. Eu sou feminista e tudo”.
Mas não ia. Claro que não. Como disse, as vacas não tossem. Novas negas. Novas desculpas, algumas envolvendo raptos alienígenas. A minha próxima vítima estava prestes a resolver-me o problema quando a quase-namorada deixou bem claro que nunca passaria do “quase” caso ele teimasse em acompanhar-te.
À beira do desespero uma alma caridosa consegue finalmente angariar-me companhia masculina no seio do seu leque de amigos. E lá fui eu. Eu e ele. E correu tudo bem. A melhor companhia que uma menina pode desejar. Sem pressões nem chantagens. E quando ele me disse “Sim, aceito ir contigo ao casamento”, senti-me a não noiva-mais feliz do mundo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Afinal, o problema não sou eu, é a demografia

Um texto da nossa Verinha:)

Várias vezes tenho divagado acerca da minha “solteireice patológica”. Não sendo especialmente feia, nem especialmente burra, nem especialmente pérfida, questiono-me porque estarei sozinha. E como a auto-comiseração sempre foi bom motivo para devorar mais uma caixa de chocolates chego sistematicamente à conclusão de que a culpa é, afinal, minha. Lá está… se eu fosse um bocadinho mais paciente. Um bocadinho mais tolerante. Um bocadinho mais transigente. Um bocadinho mais calma. Um bocadinho mais normal. Se soubesse danças de salão. Se fosse boa cozinheira. Se as minhas mamas fossem maiores. Se não fossem os piercings e as tatuagens. Se os não deixasse intimidados (remeto para um escrito anterior). Se…
Tantos “ses”! A certo ponto – lá pelas tantas da madrugada – chego ao ponto de pensar “se eu não fosse eu”. Mas se eu não fosse eu provavelmente não me colocaria estas questões filosóficas porque estaria demasiado ocupada a ser mulherzinha de algum mediocrezoide, com bigode de GNR mas sem os tais dois dedos de testa.
Há umas semanas vi a luz. Ou melhor, fui iluminada por uma mente brilhante que me explicou que a culpa meus senhores, não é minha, é da demografia.
Ou seja, não é a mim que deve ser assacada a responsabilidade de todas as Passagens de Ano a beijar a taça de champanhe à meia noite, de todas os dias de namorados a oferecer presentes a mim própria e de todos os abraços que dou aos meus joelhos… à falta de melhor zona corporal a que abraçar. Não, não é a mim, nem ao meu nariz empinado, nem aos meus desvarios. É a demografia. Parece - mas digo-vos isto com ares de dado cientifico - que, embora nasçam sensivelmente tantos meninos como meninas, dois factores perturbadores vieram arruinar a minha felicidade conjugal (ou a ausência dela): a) no percurso até à idade adulta morrem mais meninos que meninas; b) o numero de gays masculinos é bastante superior ao numero de lésbicas.
Ecco! I rest my case. Todas as vezes que o meu círculo de amigos me acusou de piquinhice excessiva no momento de aparelhar… estavam profundamente errados. Não sou demasiado exigente. Não tenho é um âmbito pessoal suficientemente alargado de escolha. Pois que culpa tenho eu que o gene Y sucumba mais facilmente a acidentes e doenças? Acaso posso dominar a genética? E que culpa tenho eu que parte substancial da população masculina prefira roçar-se numa pernoca peluda ao invés de se encostar à minha perninha depilada (com cera!)?
Em boa verdade, tudo isto conta com uma explicação científica e perfeitamente traduzível em termos matemáticos: se há menos meninos do que meninas em idade adulta, é óbvio que muitas de nós teremos, necessariamente, que ficar sozinhas. Quais? Bem, não será a Angelina Jolie certamente…
Tenho alguma solução? Bem, a única que vislumbro… hoje que são 4 da tarde de uma segunda feira de calor pachorrento, é igualarmos o numero de viventes masculinos. Para isso, só vejo duas hipóteses: ou nos atiramos de um 4.º andar ou damos uma voltinha pelo outro lado da sexualidade. O suicídio ou o lesbianismo como forma de reduzirmos o nosso número. Ora, tendo em conta que acho que sou demasiado gira para morrer espalmadinha no chão… e não digo mais nada.
Hoje vivo bem mais tranquila. Afinal, eu sou perfeita. A demografia é que não.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Mas Afinal, Porque Gostamos Mesmo Quando Eles Não Gostam o Suficiente???

Os teus olhos quando te ris. Os teus olhos quando estás sério. Os teus olhos. O teu sorriso. O sorriso mais autêntico. O facto de sorrires quando eu chego. As tuas mãos quando são suaves. As tuas mãos quando são firmes. As tuas mãos na minha cintura. A tua mão no meu cabelo. A tua mão no meu braço e a tua voz no meu ouvido "Isso é uma promessa?". A tua voz quando falas comigo. Os teus abraços. Os melhores abraços do mundo. A certeza de que se me tocares deixo de pensar. O facto de me abraçares para dormir. O facto de me abraçares quando dormes. Os encontrões que me dás quando caminhamos lado a lado. A tua forma de dançar. A tua forma de dançar encostado a mim. Tu a cantares a plenos pulmões. A cantares e a rires-te. E a fazeres-me rir. O facto de me fazeres rir tanto. As nossas private jokes. A química. A provocação. Termos uma canção. Termos duas canções (o facto de não te lembrares de quais são e de eu saber que não te lembras). Termos uma palavra mágica. A tua preocupação com o bem estar dos outros. A tua boa disposição crónica. O teu optimismo patológico. A tua simpatia.