sexta-feira, 31 de julho de 2009

Suddenly...

... I hear your voice in my skin and it feels like...

(In: http://img242.imageshack.us/i/455050gr.jpg/ )

QUANDO O AMOR SE MEDE AOS QUILÓMETROS

As relações humanas são complicadas. Quando entre os meus ventrículos e os dele se intrometem centenas, por vezes milhares, de quilómetros, esta complicação torna-se um verdadeiro enigma de física quântica. Como é que se mantém a chama de uma relação à distância?
Convenhamos que a questão não é nova. Os nossos avós e os nossos pais já se depararam com estes dilemas, com a pequena agravante de existirem muitas vezes guerras pelo meio. Já nem falo dos nossos mais longínquos antepassados, que deixaram donzelas debruçadas de janelas de torres para ir por aí matar dragões (ou mouros, o que estivesse mais a jeito).
Claro que hoje em dia a questão está simplificada pela existência de comboios rápidos, viagens aéreas a preços low-cost, telefones, internet e Pc’s com webcam. Se assim é, porque é que eu não conheço nenhuma relação à distância que tenha desembocado num final feliz?
Comecemos pelas minhas, que já sou perita no assunto. O primeiro amor da minha vida era polaco, lindo e alto, espirituoso e… morador em Varsóvia. Durou 5 meses. E assim se inaugurou um longo rol de relações internacionais, desde brasileiros a angolanos, passando por um libanês. Todos os finais foram dramáticos e dolorosos. I should have known better…
Quando o amor se mede à distância, entre continentes ou entre países, ou mesmo entre cidades, temos que nos convencer, antes de mais nada, que estamos sozinhos. Tudo aquilo que os outros fazem a dois, nós teremos que fazer a um.
Nos jantares românticos somos nós e o sofá, eventualmente deixando que a televisão se junte quando estamos numa onda de ménage.
As noites frias, à falta de quem nos aqueça os pés na cama, são suportadas à custa de sacos de água quentes, soterradas em cobertores e lençóis térmicos.
Fins de semana na praia? Enfim, se formos sozinhas não corremos o risco de nos deitarem areia para cima, e lá se haverá de descobrir uma forma de espalhar bronzeador na parte traseira.
Saídas de sábado à noite? Temos a hipótese de saídas com as meninas, e lá vamos nós com a famosa seta luminosa a pairar sob as nossas cabeças, anunciando à rapaziada que o mulherio anda à solta, o que é particularmente embaraçoso quando as amiguinhas andam em busca de companhia masculina, porque então se torna difícil explicar aos candidatos a “companhia” que elas têm de facto luz verde na testa mas que a nossa está vermelha…como as casas de banho do comboio quando estão ocupadas. Saídas com casalinhos? Cortem-me já os pulsos. Resta aquele núcleo indefinido de meninos que oscilam entre os conhecidos e os quero-ser-mais-que amigo. O desejável é evitar os convites que daí venham. Mas a verdade é que passar as noites em casa à espera de um telefonema ou um beijinho na net pode arruinar a nossa sanidade mental. Por isso lá vem o dia em que cedemos, e aceitamos o tal simpático (e completamente inocente e despretensioso) convite para jantar, que na maior parte dos casos termina connosco a bater a porta do carro e uma voz masculina a gritar lá de dentro: “Mas ele nunca iria saber…”
Sim, é difícil manter um amor que se mede em quilómetros. Força de vontade, perseverança, firmeza, lealdade, honestidade, capacidade de aguentar infinitas horas de solidão, paciência, esperança em dias melhores, tudo isso se espera de nós. Falo, em suma, de super-mulheres. E de super-homens, porque acredito que tudo isto se aplica a eles também. Vale a pena? Não sei ao certo. Acredito que sim. Tenho fé que sim. Não sendo eu católica, e tendo que ter fé em alguma coisa, que seja na vitória do amor (já estão a vomitar? É que eu estou quase).
Até porque nada bate aquele momento em que entramos no comboio, a contar cada segundo que falta, com o coração a bater, tirando o espelhinho da mala de minuto a minuto para ver se estamos bem, na ânsia de transformar todos aqueles quilómetros em centímetros de distância.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Alguém Sabe...

... como é que se aplica isto no coração???

terça-feira, 28 de julho de 2009

Cinco Segundos de Sinceridade

Sabem o que me deixa perdida? As pessoas que se desviam do registo conseguido com base na boa fé! Imaginem um homem e uma mulher que ao longo de uns meses (loooooongos meses) tentam começar uma relação de casal (o que não resulta), tentam ser amigos (o que também não resulta), tentam começar uma relação de casal (que mais uma vez não resulta) e por aí fora. Estão a ver um padrão?!?!? Então, depois de muito trabalho, limar de arestas e aperfeiçoamentos, chegam à conclusão que o que resulta entre os dois é: sexo! Sexo com direito a tudinho o que são acrobacias e fantasias! É um acordo honesto e que resulta para ambas as partes. Certo? Errado!!! Porque uma das partes lembra-se de atirar com uns "gosto de ti" e uns "estou sempre aqui" e outras pérolas que tais!!!
E aqui se coloca o problema acerca do qual escreve a Vera. O que esperam as pessoas? Que as outras não estejam a ouvir? Que não estejam a dar importância? Que se esqueçam? Que ajam sem processar a informação Eu até sou das pessoas que acredita mais na teoria de que o que é dito é-o com sinceridade profunda naqueles momentos do que na teoria da leviandade... Mas, mesmo assim... A minha Verinha tem razão, é preciso ter cuidado com as palavras. Muito cuidado.

A LEVIANDADE DE DIZER QUE TE AMO

É incrível como as pessoas que julgamos mais sensatas e responsáveis abrem a boca para dizer que nos amam com a maior leviandade. Como se nos tivessem dito “fecha a porta” ou “está frio hoje”. Como se nada. Não sei se esperam que no dia seguinte nos tenhamos esquecido disso. Ou no ano seguinte. Ou na década seguinte.

Ainda hoje fico perplexa com a leveza com que se usam certas palavras. Não me refiro à mentira propriamente dita. Quero acreditar que as coisas bonitas que me têm dito ao longo destes anos não eram mentira, pelo menos que não o eram naquele momento. Que quem as disse acreditava piamente estar a ser sincero. Mas duvido que fosse aquele realmente o sentimento que lhes ia na alma. Um pouco como quando eu prometi à minha mãe que não faria mais nenhuma tatuagem: não menti descaradamente, não a tencionava enganar, mas uma parte de mim não estava bem certa de conseguir cumprir. Resultado: mais um dragão na perna.

A afirmação - sempre forte e assertiva – de que se ama alguém é uma das que mais leviana se tornou e, por isso mesmo, mais vazia. É que amar não é o mesmo que gostar. Eu gosto de gelados e de bolas de Berlim. Não os amo porém. Não seria capaz de partilhar a minha vida com um corneto, muito menos de dar a vida por uma taça de creme de pasteleiro. Desconfio que a confusão entre gostar e amar se deva ao “I love you” que povoa a nossa linguagem desde que vimos na televisão o primeiro filme de Hollywood. A partir daí “lovamos” tudo, desde os nossos jeans preferidos até à Coca-Cola, passando por pais, amigos e namorados. Acontece que na língua portuguesa o amor é um sentimento que vai para além da preferência, do gosto ou mesmo da paixão.

Como trabalho com palavras tenho o maior dos cuidados no momento de as utilizar. São a minha arma, o modo como enfrento o mundo. Há quem cante (já aqui confessei ter sido eleita a pior cantora do planeta), quem desenhe (eu fico-me por uns rabiscos nas margens das folhas), quem corra (restrinjo essa hipótese à necessidade de chegar a tempo a uma loja prestes a fechar), quem dance (aqui faço o gosto ao pé… e ao rabo…. a bem dizer, a tudo), quem cozinhe (digamos que nunca conquistarei um homem pelo estômago). Pois bem, eu escrevo e falo. Estejam certos que quando utilizo uma palavra nunca o faço por acaso ou de forma irreflectida. Por isso me custa tanto compreender que se delas se faça um mau uso. Dizer que amamos alguém que conhecemos na semana passada é o mesmo que usar sapatilhas com o vestido preto cintado. Não conjuga. Posso até acreditar em amor à primeira vista, mas não é à segunda vista que se sabe que se ama. Apenas passadas muitas vistas nos apercebemos disso e eventualmente até concluímos que tudo sucedeu logo na primeira. Mas essa resposta chega bem mais tarde.

Tão-pouco funciona dizer em voz alta “amo-te” para nos persuadirmos disso. É que se pode querer com todos as células do corpo amar alguém, mas se o coração não bombeia para esse alto de pouco serve gritá-lo em voz bem alta. Só vamos conseguir fazer ruído. E, pior do que isso, não nos convenceremos a nós, mas convenceremos o outro de que assim é.

Por isso não digam nada. Remetam-se ao silêncio. Vão gostando. Vão estando. Vão curtindo a pessoa. Mas se um dia a amarem, aí, digam-no. Porque o pior que pode acontecer é ela nunca vir a saber disso.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Lista de Prendas Para Uma Menina Bem Comportada






Como estou quase a fazer aninhos (anões, aliás), deixo-vos umas ideias para as prendinhas que me vão comprar. Mas, como todas sabem, sou uma rapariga simples e que se contenta com pouco. Se se juntarem todas e me oferecerem apenas o primeiro item da lista, esquecendo a lingerie, os óculos, o perfume, os jimmy choo, fico feliz. Contento-me, vá!

domingo, 26 de julho de 2009

A BOY’S GIRL

Sempre fui a boy’s girl. Não Maria-rapaz, note-se. Enfim, admito que na minha infância e nos primórdios da adolescência cheguei a ser confundida com um rapazinho. O cabelo curtinho não ajudava (obrigada mãe!), mas a certa altura transformei-me numa Barbie. E digo isto sem vergonha. Vivo na futilidade dos trapos, dos batons e dessas coisas todas que fazem os homens vomitar. Ainda assim – e isto é que é verdadeiramente surpreendente – sempre fui uma menina de meninos. Mais amigos que amigas. E bem mais próximos. A minha melhor amiga foi, e é, um menino, e com isto penso que digo tudo. Não meninos que me acompanham na secreta esperança de tirar uma lasquinha, de algum hipotética romance ou, que mais não seja, umas voltinhas de quando em quando. Nada disso. Falo de meninos que me vêm algures entre “um gajo sem pilinha que vai connosco para todo o lado” e a “irmã mais nova que há que respeitar”.

Nestes termos tenho visto intermináveis jogos de futebol (estou um autêntico Rui Santos… até pelos caracóis…), feito de motorista com o carro cheio de marmanjos bêbados (sendo que todos sabem que no meu carro ninguém vomita), chorado baba e ranho nos seus ombros (e nunca esquecerei aquelas palavras de consolo, que oscilam entre o kitsch/lamechas e o absolutamente destrutivo).

Esta é, provavelmente, a primeira altura da minha vida em que começo a acompanhar mais com mulheres. Até à data a ideia em si mesma dava-me alergia. Não me que falte assunto. Desde logo, sempre posso falar de sapatos, e temos conversa para uma semana. Não que me sinta ameaçada, ou elas por mim. Aliás, se há coisa que aprendi nestes últimos meses é que a tão falada rivalidade feminina é um mito urbano. Não nego a sua existência (yo no creo en bruxas, pero…), mas até aqui só me deparei com mulheres fantásticas que serão sempre, nas suas particularidades, “role models” para mim.

Mas a verdade é que nada disto me faz esquecer os meninos. E por isso mantenho o hábito de passar tempo sozinha com eles. E cada vez que isso sucede fico destroçada pela angústia de nunca me ter apaixonada por nenhum… nem eles por mim. Porque os meus meninos são os melhores homens do planeta. Admito que alguns deles encaixam no protótipo do “filho da puta”, que nem todos foram sempre correctos e gentis para com as mulheres do mundo. Mas em todos eles descubro pedacinhos da minha meia laranja. Será que os posso cortar e cozer, construindo um home-made namorado? Se o Dr. Frankenstein o fez, porque não eu? Será que tenho procurado nos amigos aquilo que não encontro nos outros homens? Mas, nesse caso, porque motivo então nunca houve click com nenhum deles?

Já me chegaram a dizer que a minha excessiva proximidade masculina me prejudica mais do que me beneficia. Porque conheço demasiado os homens (o que nunca impediu que caísse como as outras). Porque coloco a fasquia ao elevadíssimo nível dos meus melhore amigos, que são uns fora de série, e como a maior parte dos homens fica muito aquém desse limiar acabo por ter expectativas demasiado altas que depois saem goradas. Porque estar sempre acompanhada com meninos funciona como repelente para o restante público masculino.

Provavelmente tudo isto é verdade. Pelo menos, dava-me jeito que fosse, e com isso encontrava já uma explicação para muita coisa. Ainda assim, e embora aprecie uma tarde de compras com as amigas, nada bate as noites no meio deles, muitas vezes com a minha integridade física em risco, nas mãos de alguma nina mais ciumenta.

sábado, 25 de julho de 2009

Há Dias Em Que Vale a Pena Sair da Cama


Eu e o meu sobrinho Pedro, no carro, a fazer a viagem de Mortágua para Coimbra, a ouvir Linkin Park e a cantar (gritar???) em conjunto :). E o meu sobrinho acha que eu sou fixe, eheheheh, o que faz a inocência!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A EQUAÇÃO DO AMOR

O texto da Vera:):


Hoje conheci uma mulher. Simpática, creio eu. Não especialmente bonita. Até lhe encontrei alguns traços grosseiros e as pernas feias. No entanto, senti inveja dela. Não que lhe deseje algum mal ou que lhe queria roubar a sua boa-fortuna. Invejo-a porque admiro o que ela tem e queria tê-lo para mim também. Porque aquela mulher era muito amada. This much I know.
Vi-a com o marido. Ouvi a forma como ele falava dela e como a olhava. Vi como lhe dava a mão debaixo da mesa, como o olhar dele procurava sempre o dela. Não viajava sem ela, contou-nos. Foi amor à primeira vista, contou-nos. Soube imediatamente que ela era Ela.
Apesar de ter seguido ciências sociais sempre tive alguma apetência pela matemática. E não querendo tomar o lugar de algum neo-Einstein devo dizer que reduzi o amor a uma equação matemática que penso traduzir com exactidão aquilo que deve suceder:

Dedicação X Paixão X Dedicação Y Compromisso Y

________ + _____ = ___________ ________
Compromisso X Respeito X Respeito Y Paixão Y

Se o X for o Eu e o Y for o Ele, então, aquilo que eu lhe dou terá que corresponder àquilo que ele me dá em troca. Já fiz parte de uma equação desacertada. Se há coisa que aprendi é que não funciona. Quando assim sucede - quando de um lado sobrarem milésimas, centésimas, décimas, unidades mesmo, - é porque a equação está incorrecta e aquele suposta meia laranja é apenas uma laranja podre que nos vai acabar por amargar a boca. Solução: substituir aquele Y por outro que permita um resultado perfeito.
Podem filosofar à vontade sobre o amor, mas uma coisa é certa, no finalzinho aquilo que eu dou não pode ser mais (nem menos) do que aquilo que recebo. Matemática pura.
Ou talvez não… afinal, se 2 mais 2 nem sempre são 4, provavelmente no amor nunca são 4… Confesso que já tive dias mais felizes, de modo que hoje não estou na plena posse das minhas faculdades intelectuais. Será que no amor nada é mensurável? Será que se pode viver numa relação em que o meu 100 tem como equivalência um 0 da parte contrária? Será que a lógica matemática deixa escapar as pequenas nuances humanas? Se calhar nada disto é explicável. Não sei. Mas pelo menos uma coisa eu sei: Hoje conheci uma mulher. Era muito amada. E eu senti inveje dela.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

F****

Um dia vão cozinhar para mim. E fazer-me pratos de fruta. Com mel. E preparar-me as bebidas que eu gosto. Sabendo melhor do que ninguém de que bebidas eu gosto. Vão levar-me o pequeno-almoço à cama. Com um pão com formato de coração. Vou receber declarações de amor em forma de pacotes de açucar enfiados na minha caixa de correio. Um dia vão-me oferecer flores de papel. Flores de papel por tudo e por nada, em cima da cama, na fechadura do carro, no cabelo. Vão-me cantar e tocar guitarra. Vão-me aparecer à porta, a meio da noite, de surpresa. Um dia vou namorar à varanda. E alguém vai fazer quilómetros para estar comigo.

Turn-Off Total

Eu e a Vera utilizamos frequentemente este conceito, o do turn-off total. Nem sei se existe ou se fomos nós que o inventámos. Mas utilizamo-lo para descrever pormenores masculinos, físicos ou de carácter (ou mesmo de acessórios, como prova a minha "paixão" pelas pochetes), que eclipsam à partida qualquer desejo (tesão, vá) nosso em relação a quem os possui.

Porque é que me lembrei agora disto? Porque hoje já vi três homens a cuspir para o chão. E ainda agora estamos na hora de almoço. Se todas as mulheres forem como eu e a Vera, é óbvio que estes três homens terão uma vida muuuuuito triste pela frente. Muito, muito, muito triste. E seria bem feito!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Um Blog de Homens...

Apesar da minha já conhecida vontade de hibernar, hoje já me ri! Vão espreitar:

http://cuidadoaoabrir.blogspot.com/

“Por que hei de sentir-me sozinho? Por acaso, não está o nosso planeta na Via-láctea?" – H. Thoreau

Deixo-vos um contributo de uma nova "correspondente", a minha amiga Elsa :).

Nesta nossa luta da vida diária muitas esquecemo-nos de nos encontramos a nós mesmos. Andamos tão preocupados em encontrar a nossa "Alma Gémea", os amigos, as coisas sem as quais não somos felizes, o carro ultimo modelo, a casa na zona nobre da cidade, etc, etc, etc.... E quando conseguimos obter tudo isto parece que nada faz sentido, existem já novos anseios e necessidades. E lá continuamos a nossa luta desenfreada...Decidi escrever sobre a minha experiência pessoal talvez para me libertar a mim própria ou ajudar pessoas que estejam na mesma situação. Desde há seis anos a esta parte a minha vida mudou radicalmente, perdi pessoas muito importantes na minha vida e que não posso recuperar, já se encontram noutro plano, faleceram. Outras passaram pela minha vida com o propósito de alterar completamente o meu comportamento. Eu vivia em função dos outros, em função das minhas amizades e para elas, em relação ao amor eu anulava-me a mim mesma em função do outro, e nada disto resultava. Porque as pessoas entravam na minha vida e seguiam e eu sentia que significava pouco para essas pessoas e isso fazia sentir-me cada vez pior. Mas quem me dava pouco valor era eu mesma.Hoje através de um processo de conhecimento pessoal, cada vez gosto mais de passar um tempo comigo mesma e faço-o com prazer. Os amigos aparecem na mesma sem que eu tenha a mesma sofreguidão em agradar, quando precisam contactam mas também não me magoa o facto de não ter notícias à partida é porque tudo vai bem....Às vezes penso que se deve ao facto de estar a entrar nos quarenta anos de idade.... será que estou a ficar velha??? Encontrei uma serenidade que há muito procurava.... Nunca estamos sozinhos!!

Diálogo MSNzeiro Matutino (Tooooodos os Dias)

Mónica - Catrafina, bom-dia!!!
Catarina - Bom-dia :)! Dormiste???
Mónica - Opção a) Sim!!!! Opção b) Não, tive uma insónia...; E tu?
Catarina - Opção a) Sim!!!! Opção b) Não, tive uma insónia.

Infelizmente, eu e a Mónica somos umas cromas porque escolhemos a opção b) com demasiada frequência! Gente esquisita, esta...

De Repente...

... tomei uma decisão. Vou hibernar. Acordem-me quando for possível comer chocolate sem engordar, quando toda a gente tiver emprego, quando não tivermos que contar tostões para chegar ao final do mês, quando não houver guerras nem discussões. Acordem-me quando eu for à prova de desgostos, o meu coração não estiver apertado e o meu estômago não tiver um nó. Até lá, vou trocar as insónias pela hibernação. Está decidido.

TROCO CELULITE POR ATAQUE CARDIACO

Aqui vos deixo mais um texto da Vera ;)!

“Eu gosto é do Verão, de passear de prancha na mão…lalalalalal” (desculpem se desafino, mas fui oficialmente eleita a pior cantora do mundo). E agora acrescento eu a segunda rima da letra: “Olhos fechados na água não vá apanhar uma conjuntivite, e que todos fossem cegos para não ver a minha celulite, lalalalalalalalala”
No meio das muitas coisas boas do Verão e da praia aparecem umas menos boas. Senhoras e senhores, eis a celulite!
A celulite é, digamos assim, o equivalente feminino da barriga masculina. Enquanto os homens estão fadados a andar pelo mundo sem conseguir ver os pés devido à proeminência abdominal ,alimentada pela idade e pelas muitas cervejolas, já as mulheres defrontam-se com ela. Ela. A celulite. Antevejo aqui certa justiça divina entre a guerra dos sexos…
A barriguinha deles é mais difícil de esconder do que o nosso little secret. Calças descaídas e t-shirts à jogador de basket são bons truques de camuflagem, mas o perfil em curva é difícil de resguardar. Já no nosso caso, só temos que esquecer roupa de praia, mini-saias e calções. Ah… e calças de tecido fino (algumas deixam descobrir aqueles malditos buraquinhos que tremem a cada passo). E, claro está, qualquer momento íntimo que implique alguma nudez.
Porque é que não fazemos todas greves e manifestações enquanto o Governo não erradica a celulite? Porque na verdade ela nos salva a vida. É que a gordura que convertemos em celulite é transformada pelos homens em ataques cardíacos. Ah pois é bebé. De novo a tal justiça divina: nós vivemos cobertas por cascas de laranja mas eles morrem mais cedo.
O que me leva à seguinte questão: se a ideia é todos termos um castigo na vida, posso trocar o meu pelo deles? Qual o grau de futilidade que me atribuem se eu quiser trocar a minha celulite por um ataque cardíaco? Note-se que a ideia não é nova. Já o James (o Dean) dizia que queria morrer cedo e deixar um cadáver bonito. Só que nele era cool. Parece que há uma regra não escrita que diz que se formos alcoólicos com almas atormentadas tudo o que se diz é profundo e rebelde, ao passo que se formos miúdas giras e felizes, vestidas de cor de rosa, somos apenas superficiais e vaidosas.
Agora a sério, de que vale viver muitos anos se os temos que passar vestidas? Não valeria mais a pena viver menos 10 mas poder andar por aí a mostrar pernas e rabo? Pois… não sei… ainda tenho que pensar no assunto. E espero ter muitos anos para o fazer. Espero amanhã não sentir o braço dormente. Espero continuar a transformar as minhas calorias em bolinhas de celulite. Enquanto a tiver sei que o mecanismo salva-vidas continua operacional.
Querem outra perspectiva do problema? A celulite é feminina. É uma marca de ser mulher. É o sinal de que o corpo está pronto para ter bebés. E, segundo consta, eles não se apavoram tanto como nós ao vê-la. Recordo o comentário de uma amiga minha quando lhe confidenciava o meu ódiozinho de estimação para com a dita. “Olha – responde ela – o X não se incomoda nada com isso (este X é o marido, cuja identidade manterei secreta para vos impedir a vocês, suas invejosas, atacar homem tão prendado). Aliás, ele até gosta de ver. Acha sexy.”
Não sei se o X gosta efectivamente de celulite ou se gosta é da mulher dele. Pelo sim, pelo não, vou continuar a comer doces, fritos e cafés para não perder a minha sexy camadinha adiposa.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A PERFEITA OBRA DE ARTE

Algures no mundo existe uma pessoa chamada Guillermo Vargas Habacuc. Não sei o que come ao pequeno-almoço, se prefere café curto ou longo, se é casado e tem filhos, qual o seu clube de futebol. Para muitos será um homem comum. Para mim é um demente, um imbecil e um criminoso da pior espécie. Porque uma coisa eu sei: este tipo matou um cão à fome. E chamou-lhe arte. Arte? Desculpe, está o senhor a dizer que amarar um cão e deixá-lo paulatinamente a morrer à fome (não com certo regozijo, suspeito eu) é o mesmo que pintar a “Mona Lisa”? Ou o tecto da capela Sistina? Ou esculpir a “Pietà”? Ou escrever “Les Misérables”? Ou compor a Nona Sinfonia? Ou dançar o lago dos cisnes? Bem, assim de repente, vêm-me à memória uns quantos artistas que não concordariam certamente com tal asserção. ´
Reconheço que a arte moderna em muito da distingue dos pintores holandeses e flamengos do século XVI ou do impressionismo de Van Gogh. Quem vê a “Fountain” de Marcel Duchamp pode ser levado a pensar que um urinol de porcelana pouco tem de artístico. E não discordo de todo, embora confesse que encare as suas criações com certa curiosidade infantil, que no final acaba por me transmitir uma sensação próxima à do “O Beijo”, de Klimt. Próxima… não exactamente igual. Convenhamos que empinar uma roda de bicicleta em cima de um bando não é o mesmo que cantar uma ária de ópera a ponto de nos fazer chorar.
Mas matar não é arte. Nem que seja um cão (diria mesmo - atendendo às enormes alegrias que os animais já me deram e que muitos humanos nem se aproximaram - especialmente não se for um cão). Nem que o cão seja vadio e não tenha ninguém que chore a sua perda. Porque eu choro. Eu choro a perda daquele cão, o modo como morreu, o sofrimento porque passou. E não me venham dizer que os bichos não sofrem. Sofrem, sentem, choram até.
Sinto-me ofendida porque um monstro matou um cão. Acho a suposta “obra de arte” repugnante. E pouco me importa que o seu autor tenha ganho o 1.º lugar da Bienal de S. José de Costa Rica durante dois anos. Ou melhor, importa-me muito. Incomoda-me muito. Enoja-me muito que haja quem lhe aplauda as taras de doente mental.
Chegou-me às mãos uma petição para o impedir de participar na Bienal Centroamericana de Arte em 2009. Eu assinei. Mas depois percebi que afinal teria imenso gosto em ver o lá. Simplesmente, desta feita, sendo ele a obra de arte. Não seria lindo ver o tal Guillermo Vargas Habacuc amarrado a um poste a definhar de fome? Eu choraria de emoção perante a beleza de tal obra de arte. A obra perfeita, atrevo-me a dizer.
A arte é bela, estimulante, desafiadora, cativante. Pode despertar alegria ou tristeza, mas sempre há-de trazer excelência às nossas vidas. Matar um ser indefeso - humano ou não humano - de forma a causar-lhe sofrimento atroz é a negação de tudo isto. Este tal suposto artista deitou estes valores por terra. Só antevejo a possibilidade de lhe reconhecer algum mérito artístico no dia em que se amarrar a ele próprio até ao momento em que a fome lhe leve a melhor.

Nota da autora:
para quem estiver interessado, http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html.
Assinem por favor.
Obrigado.Vera

terça-feira, 14 de julho de 2009

Pérola de Elogio

Um destes dias, durante um diálogo que tinha como objectivo convidar-me para tomar café, atiraram-me com um "Você tem cara de menina, mas já não é nenhuma menina". Você-tem-cara-de-menina-mas-já-não-é-nenhuma-menina?!?!? E espetar-me uma faca directamente no coração, não?!?!? E "prontos" assim morreu um potencial grande amor.

MANIFESTAÇÕES PÚBLICAS DE CARINHO

Minha gente, eu tenho a sorte de ser a primeira a ler os posts da Vera (e este, adorei!!!!). E porque é que nós somos tão complicadas, perguntam vocês? Porque envia a Vera os posts para mim, para eu os colar, em vez de fazer parte do painel do blog e escrever aqui directamente? E a resposta é: porque eu sou totó! Sou mega totó, aliás!!! Não consigo descobrir como lhe enviar o convite para o blog!!!! Que alguém me ajude!


Não tenho a mínima intenção de limpar as vísceras do meu “significant other” com a língua em locais públicos.
Assim como não baixo as calcinhas para fazer xixi no meio do bar nem aproveito o momento em que estou estendida na toalha, em plena praia, para palitar as fissuras dentárias, não faço questão que me lambuzem ou me toquem mais intimamente quando exista assistência por perto. Mais. Confesso até que fico incomodada quando sou forçada a presenciar esses episódios XXX ao mesmo tempo que bebo o meu Delta ou danço no meio da pista. Mas já confirmei que sou antiquada, logo… gimmy a break.
Isto que ficou dito acima é uma coisa.
Coisa diferente é a total proibição de manifestações de carinho em público.
Aquele beijinho tão rápido como um choque eléctrico, as mãos dadas ao andar (convenhamos…. nem sempre, mas por vezes), um abraço quando faz falta….? Porque não?
É ofensivo? É-o tanto quanto passar a mão pelo cabelo, porque em boa verdade é do mais natural que há. O ser humano foi feito para viver em comunidade, seja na sociedade de milhares seja no “couple” da cumplicidade a dois. Se não me coíbo de coçar aquela comichãozinha na ponta do nariz, porque me hei-de inibir de passar a mão pelo cabelo dele?
É embaraçoso? Apenas para quem é inseguro, em si mesmo ou no que toca à vida em conjunto. Se é verdade que não faz sentido publicitar por megafone que se está com alguém (e não temos todas amigas que gostam de nos gritar ao ouvido cada nova conquista???), também é certo que quando ele procura esconder o acontecimento do mundo lá fora é porque na verdade nada aconteceu senão no país da fantasia que reina nas nossas cabecinhas românticas.
Vai tornar-se alvo das piadas dos amigos? Nesse caso aconselho a procurar novos amigos, que preferencialmente já tenham saído da adolescência e das infindáveis horas sozinhos na casa de banho com a mão amiga que nunca os deixa mal.
Pela minha vida já passou de tudo, desde o namorado meloso que não me larga o pescoço (xooooo, chega para lá miúdo!) até ao namorado com problemas afectivos, não sei se por falta de carinho em terna idade (e sabe tão bem culpar os pais de tudo, não é?) ou porque é, simplesmente, néscio. Mas o que eu gosto é do in between, que me deixa respirar sem sufoco mas que está pronto para me sufocar ao mais leve olhar meu.
Quem se vira para mim no meio de rua e me diz, com a maior cara de pau (como sou uma senhora, não lhe posso chamar outra coisa), que se sente desconfortável com manifestações de carinho em público, e retira abruptamente a sua grande mão (sempre… gosto de homens grandes) da minha mão pequenina, merece só uma coisa. Só uma. Uma boneca insuflável. Que não lhe dê a mão, nem lhe pergunte se está triste, nem o arraste para compras, nem lhe apresente amigas chatas, em suma… que não o incomode. Na falta de boneca, ou caso se sintam desmotivadas pelo preço das ditas, aconselho uma alga. As algas fazem o mesmo efeito. E ocupam menos espaço. Em qualquer das hipóteses, será certamente menos embaraçoso e incomodativo para eles passar na rua com a boneca ou a alga. Asseguro que nenhum delas lhe agarrará na mão.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

When My Dog Met Yours

Eu tenho um amigo, o João Vasco, que me prometeu que um dia destes, quando se sentir inspirado, escreverá um texto aqui para o blog para contar esta história na primeira pessoa. Mas eu não resisto a partilhar um pouco do que falámos hoje, porque foi das coisas mais enternecedoras que ouvi nos últimos tempos. Daquelas que nos ajudam a manter alguma esperança na felicidade :)!
É que o João Vasco conheceu alguém e está feliz. E quando converso com ele essa felicidade nota-se a léguas! E faz-nos sentir bem! E ele hoje disse-me: "Agora andamos na fase de apresentar os nossos cães". A fase de apresentar os cães!!!! Porque se está feliz com a pessoa que tem aquele cão e se tem esperança de se continuar feliz ao lado da pessoa que tem aquele cão, vale a pena a tentativa de socializar o dito com o nosso próprio cão, com todos os latidos, rosnadelas, babadelas e mordidelas que isso possa implicar :)!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Tal como o whisky, some things should never change

A Vera, nossa correspondente (agora) no estrangeiro :)!

Sou antiquada, admito. Gosto que um homem me ofereça flores e me abra a porta do carro. Isto é tão mais chocante quando se sabe (conto-vos agora) que sou conhecida em certos quadrantes como uma feminista ferrenha (seja lá o que isso signifique). Afinal , escrevi uma tese de algumas centenas de páginas sobre o assunto e ainda perdi um par de noites de sono a pensar na igualdade, ou na falta dela. De modo que do epíteto de feminista já não me livro.
Mas o facto de não aceitar que homem algum seja tratado com mais respeito e lhe seja reconhecido mais mérito do que a mim, pela simples diferença genética que separa o seu gene Y do meu par de X, não impede que continue a esperar o tratamento que me corresponde por ser menina.
Mais uma vez, repito, não quero regime de favor. Não pretendo ser dispensada de cumprir serviço militar, nem anseio por promoções profissionais baseadas na profundidade do meu decote. Mas quero, isso sim, que no trato social e, mais propriamente, no trato intimo, me tratem com a gentileza que desde sempre marcou o comportamento dos cavalheiros para com as senhoras.
Ambígua? Talvez. Admito que não aceito com igual júbilo todas as inúmeras maravilhas que a igualdade nos aportou. Admito umas, outras nem tanto. Mas, desculpem-me meus senhores, convidar uma menina para jantar e no final esperar que ela pague a conta? (silêncio destinado à reflexão)…………………………………….
Um homem – que tanto pode ser aquele que nos rodeia à espera de dar uma trincada, como o amigo fiel de há anos, para o caso é indiferente, embora, claro está, as represálias sejam substancialmente mais gravosas no primeiro exemplo – mas um homem, escrevia eu, deve levantar-se para ceder o lugar a uma senhora (tal como eu me levanto perante a grávida ou o senhor de bengala), deve ir buscar bebidas e cafés, deve deixar a propina no restaurante, deve carregar com as malas, deve discutir com o arrumador de carros, deve apanhar-me o casaco do chão, deve levantar o braço para chamar o empregado e pedir a conta, e milhares de outras pequenas coisas que seria impossível relatar aqui, mas que qualquer um com dois dedos de testa (preferencialmente, com conhecimentos sobre a alegoria da caverna) saberá reconhecer no momento. Muitos deveres? Não nego. Mas não acho que seja impor demais a quem já escapou ao fardo da menstruação e da depilação das virilhas.
Ou seja, eu quero um cavalheiro. Não garanto que seja senhora à medida para o merecer. Tento sê-lo todos os minutos da minha vida. Confesso que há momentos em que perco a graciosidade e a gentileza e me porto como um camionista (aqueles que já me viram comer depois de algumas horas esfomeada sabem bem do que falo). Mas quero ser uma senhora. Quero ser uma Scarlett. Tinha mau feitio (talvez por isso me reveja tanto nela), é certo, mas também não está escrito que as ladies tenham que ser um pãozinho sem sal. Era, indubitavelmente, uma senhora. E Red Butler, no alto do céu cigarro e do seu sorriso trocista, um cavalheiro. Não obstante já não estarmos no tempo das saias de balão e dos espartilhos, continuo a achar que há coisas que não devem mudar nunca. Como o whisky (que não bebo) e os cavaleiro andante (por quem espero).

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Help!!!!!!!!!!!!!!!!

Ai, ai, ai! Lembram-se de uma certa Catarina que escreve frequentemente acerca das suas neuras, do seu mau feitio, do seu mau humor, das suas rosnadelas e do seu lado negro? Estou preocupada!!! Porque tudo isto visto à luz do artigo do El Mundo... Enfim... AHHHHH!

http://www.elmundo.es/elmundosalud/2009/07/02/neurociencia/1246557160.html

quinta-feira, 2 de julho de 2009

The Sweethest Thing

A crónica da minha Verinha. Que atravessa a cidade por mim, para me dar boleia, mesmo que não lhe apeteça conduzir. Por quem eu entro no NB só por meia-hora depois de já ter jantado e saído na Figueira. Leiam.

A minha melhor amiga é um menino. Sempre disse que ele daria o melhor namorado do mundo. Não estava enganada. Tive a confirmação disso quando há dias lhe liguei, morta de saudades, e lhe perguntei pelo programa de fim-de-semana. Ele respondeu-me que ia passar o sábado a casa dos avós da respectiva cara-metade. Em casa de outros avós que não os nossos… sendo que já tratando-se dos nossos o encargo pode ser doloroso…Pronto, o miúdo ensandeceu! “Sabes – murmurou ele, confidenciando o que eu afinal já sabia – não é que me agrade muito, até já tinha outros planos, mas é importante para ela”. Era importante para ela. E ele ia. Assim. Mais nada. Porque era importante para ela.
Naquele momento fui atacada por uma imediata vontade de comer arroz de marisco. E eu nem gosto particularmente de marisco. Ainda assim, durante um ano e nove meses engoli camarões semanalmente, por vezes, diariamente. Masoquismo? Talvez. O facto é que os restaurantes só cozinham este prato para duas pessoas. De modo que quem tiver um fraco pelo dito depara-se com poucas hipóteses: ou bem que desiste de vez do arroz, ou desenha duas bocas na sua cara e mais tarde se preocupará com os recém-adquiridos pneus, ou então angaria companhia para o ajudar na tarefa de esvaziar o tacho. Eu fui essa companhia. De pouco me servia percorrer a ementa em busca do manjar prefeito. Por ele ia olhar para mim com aqueles olhos de cachorro abandonado e eu, coração mole, lá perguntava, baixinho: “É o arroz, não é?”. “Se preferires outra coisa….”, respondia ele, invariavelmente. Eu até preferia. Mas preferia ainda mais vê-lo a ele feliz. E toda a gente sabe que a felicidade vem no fundo de um tacho de arroz, entre o mexilhão e o berbigão.
E esta é a coisa mais doce que se pode fazer por alguém. Cedências. Estar aberto a abrir portas que de outro modo fecharíamos. Fazer aquilo que não queremos só porque o outro gosta. Seremos todos nós masoquistas em auto-flagelação? Será que as relações se fundam no sacrifício? Não, de todo não. Mas é preciso ir para além do nosso próprio umbigo, tenha ele piercing ou não.
Gostar de alguém – um amigo, um irmão, um namorado – é querer fazê-lo feliz. Sem sacrifício. Sem cobrança. Dar passeios de mão dada mesmo que se tenha planeado um domingo esborrachado no sofá e que se considere o mão-na-mão tão foleiro quanto fios de ouro pendurados em peitos peludos. Jantar em casa de avós que nem chocolates nos dão. Saltar da cama mais cedo para deixar o pequeno-almoço preparado. Assistir a infindáveis casamentos de pessoas que nem conhecemos. Engolir arroz de marisco quando até já se tem um fóssil de camarão na língua.
A melhor coisa do mundo não é só fazer alguém feliz. É ficar feliz com isso também.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Balança Maldita


Há já um ano que ando a dizer, massacrando as pessoas à minha volta, que quero perder um quilo ou dois (depende dos dias)! Vou ao ginásio ou faço caminhadas com alguma frequência, segundo a Rocío vivo de ervas, a Rita acha o meu rigorífico deprimente e as pessoas em geral acham-me esquisita porque não compro chocolates nem bolachas para ter em casa. Claro que não sou nenhuma santa, também cometo os meus pecados. Há sempre um jantar de peixinho e legumes cozidos em que, no final, o meu vizinho Filipe oferece, a mim e à Cristina, um crepe de chocolate... só para equilibrar! Mas enfim, tento portar-me bem :)!
Mas, apesar de o tentar, a minha #*%*# balança gosta de me torturar, indicando sempre números que eu não quero ver!!! Claro que entretanto me fui habituando à coisa e comecei a ganhar imunidade a este humor negro da dita cuja. Peso-me e, desde que esteja tudo mais ou menos na mesma, já nem lhe ligo! Eis senão quando a maldita decide retaliar!!! Encravou!!! A minha balança encravou no peso de que me ando a queixar há um ano! E agora, mesmo que não suba para cima dela, está lá sempre aquele número que me irrita a olhar para mim! Sempre! Hoje ía até jurar que ouvi um riso arrepiante a vir da casa-de-banho quando saí de minha casa...

terça-feira, 30 de junho de 2009

Insónias & Manias

Talvez seja castigo cósmico por eu ser tão mau feitio, mas a verdade é que tenho muito mais insónias do que aquelas que o comum dos mortais consegue suportar. Como eu, só mesmo a Mónica (que, é bom que se diga, não tem mau feitio!). Sou capaz de passar duas semanas seguidas a dormir uma média de quatro horas (duas semanas seguidas de rastos, portanto!) e de sábado para domingo durmo, habitualmente, duas horas. Uma maravilha!
Já sei que comigo não resulta, antes de tentar dormir, ver televisão, ler, ir ao ginásio, beber chás "Noite Tranquila" e outros que tal. Nada resulta! E, como é óbvio, contar carneiros também não! Mas tenho que admitir que começo a enumerar coisas como forma de me acalmar. Apenas para me acalmar, note-se, porque nem por isso consigo adormecer!
Então, nestas noites terríveis, é ver a Catarina, enroscadinha, a lembrar-se das coisas boas da vida: uma cama quentinha, a minha casa, um banho de banheira, chocolate, os meus amigos, a minha irmã...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

VENDE-SE AMOR EM CAIXAS DE SAPATOS

Um texto da Vera. Hoje nem poderia ser meu: não estou suficientemente acordada para tanto!


Num destes Domingos pachorrentos levei duas amigas ao cinema para ver “Confissões de um Shopaholic” (nota de rodapé: sim, sou fútil. E cada vez mais faço questão de o ser. Não tenho paciência para massacrar o Tico e o Teco com filmes pseudo-intelectuais depois de uma semana de trabalhos forçados). Saí da sala sensibilizada com os perigos da uma vida financeiramente libertina, velei pela boa saúde do meu crédito pessoal e aconselhei as minhas amigas a fazer o mesmo. Mas mal virei a esquina do shopping e vi o cartaz que anunciava promoções na sapataria comecei a correr que nem uma tresloucada e deixei as duas meninas ali paradas em pleno corredor, abismadas com a minha velocidade em cima de saltos altos. Resultado: umas fantásticas sandálias pretas, em pele, a amarar na perna, com 70% de desconto. Senti-me mal? Nem por isso… afinal, se as comprei em promoção acabei por cumprir os mandamentos que o filme me ensinou.
Há um par de semanas, quando me preparara para mais uma das minhas entediantes viagens em trabalho, cumpri o ritual de passar pelo Duty Free do aeroporto. E achei que a miséria que me esperava no destino (é bem sabido que até à data eu não era - sublinho, não ERA – germanófila) autorizei-me a mim própria a exceder o orçamento habitual das compras de viajante. Em boa verdade ia apenas atacar o sector dos cremes de rosto, único luxo que nem a senhora minha mãe me recrimina, porque, afinal, todas temos pavor em ficar velhinhas. Cremes para o pescoço e para os olhos são, em bom rigor, quase medicamentos. Salvam vidas pelo menos. Mas o maior infortúnio é que para chegar ao departamento dos cremes tive que passar pelo departamento da maquilhagem. Tive que passar. Bem…. Ter, ter, o que se diz “ter”… eu não tinha. Mas era uma das possibilidades. E se era possível passar pelo corredor da make up… pois, eu passei… Ninguém diga nada! Atire a primeira pedra aquele que nunca se entregou aos prazeres dos batons e dos blushs. Pois bem, descobri que o vermelho Channel é diferente de todos os outros vermelhos dos milhentos outros batons que existem no mundo, e que existe uma escova de rímel especialmente vocacionada para revirar as pontas, e que a ciência já produz correctores que camuflam olheiras com as quais poderíamos até tropeçar! Ora, depois de descobrir tantas maravilhas compreenderão que as não poderia ignorar e fui forçada a ceder aos benefícios da ciência
Quando a minha conta ultrapassava já o valor do orçamento integral que me tinham atribuído para a dita viagem ouvi subitamente uma voz: “Vera”. Primeiro baixinho, depois aos gritos: “VERA”. Acham que era a minha consciência? Não. Era antes um relogiozinho dourado da Guess, que me seduzia da sua pequena caixinha de vidro. Tive que lá ir. Quem não iria? Fui lá e mostrei-lhe quem mandava…. Ele, pois claro. Tive que o comprar. Eu, que tenho um daqueles irritantes pulsos fininhos onde relógios e pulseiras costumam dançar o mambo, ainda me alimentei da fugaz esperança que o dito caísse do braço e se estatelasse no chão, mas nem essa prece me foi atendida. É que afinal o bicho era composto por pequenas fracções que se desmontavam, de modo que bastou um ligeiro ajuste para me servir na perfeição, tal qual um relógio de cristal no pulso da Cinderela. Preparava-me para pagar quando a menina da caixa me perguntou pelo cartão de passageiro frequente, explicando-lhe que iria reportar o valor das compras à minha conta de milhas. Olhei-a, estupefacta (ou seja… estúpida) e respondi, no tom mais ofendido que me saiu: “Não posso crer! Há tantos anos a comprar coisas no Duty Free e a gastar milhares de euros e só hoje em avisam disso. Eu já poderia ter acumulado milhas e milhas com esse expediente! Como é nunca me informaram disso?”.
“Esta enganada minha senhora. Ainda da última vez que aqui esteve lhe disse isto”, respondeu-me ela. Silêncio. Uhhhhhhhhhhh!!!!! Quarta dimensão!!!!! Da última vez que lá tinha estado???? Mal ela… recordava-se de mim????
“Desculpe? “ – perguntei eu, com a maior cara de sonsa da História – “mas a senhora recorda-se de mim?”. “Claro que sim, vejo-a aqui muitas vezes a comprar coisas”. “Tem a certeza de que era eu?”, insisti, na tentativa de desarmar aquela vergonhosa mentira de eu ser uma compradora compulsiva. “Tenho” (resposta convicta).
E agora o meu momento de auge, o toque do verdadeiro artista: “Olhe que já me têm dito que anda por aí muita gente parecida comigo”. “Não minha senhora, recordo-me perfeitamente. Foi há cerca de três semanas e comprou um par de perfumes”.
Ui... o rumor bate certo com a realidade. Três, semanas, Cancun, o Gucci e o Coco Mademoiselle.
Cabisbaixa, humilhada, dilacerada, uma autêntica dama das Camélias a definhar sob o peso da tuberculose das compras, saquei do cartão de plástico, marquei o código e reflecti sobre os meus devaneios coquettes. O meu patético desespero só foi interrompido por uma voz que gritava o meu nome no altifalante do aeroporto, avisando-me de que aquele seria o último aviso para o embarque. Com a mochila do PC às costas, um saco de compras em cada mão e umas botas de cano alto de verniz, desato a correr pelos corredores do aeroporto. Lei de Murphy: a porta de embarque fica logo à entrada, excepto quando o avião está prestes a partir. Já aqui gabei o meu dom para correr em saltos altos, mas nunca é demais referir que se houvesse um campeonato mundial a medalha de ouro seria minha.
Já me imaginava a perder o avião, a ser chamada a dar explicações acerca desta falha imperdoável… “Sabe senhor Doutor, a culpa é do rouge da Channel…. e dos relógio dourados….”. Não me parece que esta resposta sensibilizasse alguma alma…
Moral da história: não pedi o avião, mas fui a última a embarcar, sob o olhar de censura dos restantes passageiros e do pessoal da TAP que, certamente, me condecorou nesse dia com a honra de persona non grata em matérias de voos.
Porque vos contos isto? Porque tenho passado os últimos anos a compensar as minhas desventuras amorosas e desgastes emocionais com compras, mais ou menos necessárias (diria “menos”), mais ou menos exorbitantes (diria “mais”). Será que ainda acredito que posso comprar o amor juntamente embrulhando em papel de seda, dentro de uma caixa de sapatos? Será que tops sem costas acabam por me tapar o frio nas noites de Inverno, há falta de quem me aqueça? Não nego que continuo compradora mesmo em tempos de maior estabilidade emocional. Está no meu ADN e contra a biologia não vale a pena lutar. Mas nesses momentos sou como aquele alcoólico que não vai para além do copo de vinho à refeição e da bebedeira semanal. Já em momentos de desgosto de amor vivo inebriada por sacos de compras.
O problema é que, à medida que o espaço da minha casa se torna pequeno para todas as aquisições, também a minha conta bancária diminui de dígitos. Sem que daqui derive algum paliativo emocional, alguma mais-valia para a pessoa que sou. Convenhamos: não há carteira de marca que funcione como penso para a alma. Mas enquanto o príncipe perfeito não chega sempre haverá por aí, algures, um parzinho de sapatos à espera do meu pezinho. E esses, pelo menos, nunca me trocaram por outro pé menos elegante que o meu.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson


Morreu o Michael Jackson. E eu ainda me lembro de estar em frente à televisão com os olhos tapados porque estava a dar o videoclip do Thriller. Isto porque a primeira e única vez em que realmente vi as imagens, tive um pesadelo (há coisas que nunca mudam, digo eu, a-que-é-incapaz-de-ver-um-filme-de-terror). Dizem que as pessoas continuam vivas nas memórias dos outros e, apesar de eu não gostar particularmente da música dele, a verdade é que faz parte das minhas...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Hoje Acordei Deste Lado


O negro. Aliás, desde domingo que acordo no/do meu lado negro. Mas, como li algures, a vida não é só luz. E a verdade é que eu gosto deste meu lado. E quem não gosta, right?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Apanhando do chão pedacinhos do meu coração

A Vera... E não há mais nada a dizer... Eu assino por baixo, Verinha.


Há dores imensas no mundo. Tenho uma tatuagem no fundo das costas que foi sentida como se uma lâmina em brasa me retalhasse a pele. Dizem que deixar a pilinha presa no fecho das calças implica uma dor acutilante… mas aqui vou ter que confiar nas palavras de quem o conta.
Tenho para mim que a maior dor de todas é partirem-nos o coração. Ele cá está, pequenino e vermelho, a bombear sangue e a manter-nos vivos. Mas um dia … CRASH…Rompe-se em mil pedaços, que caem no chão, e ficam as pontas aguçadas a espreitar lá de baixo para nós, prontas a espetar-se-nos no pé a cada passo mal dado. Não é só o momento em que coração se parte. Não é só a ausência, o viver sem ele. É o ter que andar pé antes pé para não nos magoarmos mais. A partir daí vivemos em piloto automático. Como um avião que ande pelos céus a voar sem rumo. Acordamos, expiramos e inspiramos, comemos (às vezes) e dormimos. Piloto automático porque já não esta o coração. Tentamos conhecer pessoas. Sair à note. Distribuir misteriosos sorrisos de Mona Lisa. Substituir quem perdemos por alguém novo. Eventualmente apaixonamo-nos mesmo. Mas não resulta. Porque os tais pedacinhos pontiagudos de coração continuam lá caídos no chão, sem nos deixar saltar nem dançar sem provocar feridas. O instinto de sobrevivência diz-nos que não podemos perder nem mais uma gota de sangue. Por isso aquela nova paixão nem o chega a ser. Melhor não mexermos os pés do que nos magoarmos nos estilhaços.
A segunda dor maior a seguir a esta é vê-lo com a outra. Onde ela, nós estivemos. Onde ela dorme, nós dormimos. Vê-lo é como andar descalça em cima dos pedacinho de coração partido.
Não lhe desejamos mal. Seria bem mais fácil ter-lhe raiva, rancor. O ódio sempre funcionou como uma grande arma de defesa e de recuperação. Tão-pouco gostamos já. Tudo o que um dia existiu já desapareceu. Afinal, ele partiu-nos o coração. O único que tínhamos. A Zara ainda não os vende. Nem sequer a D& G lançou algum último modelo de corações. Não sentimos nada. Isso é o pior, não sentir nada. Mas fica a ideia de que aquele foi o nosso lugar. E, sobretudo, um grande sentimento de frustração. Será que as rupturas amorosas nos lançam em desenfreada competição com os ex’s? Será que tudo está em saber quem se apaixona primeiro? Quem reconstrói a vida antes? Será que naquela noite, quando o vi de mão dada com ela, tudo teria sido diferente se eu tivesse uma mão na minha também? Não sei… porque não tinha. Só sei é que foi ele que me partiu o coação a mim e não o inverso. Mas agora é ele que tem alguém ao lado enquanto eu passo as noites sozinha a tentar não pisar os cacos. Onde está a divina justiça no meio disto tudo? Então ele não devia ter sido condenado pelo Tribunal dos Corações Partidos a nunca mas gostar de ninguém? E a mim, quem me arranja um coração novo? É que eu fiquei estragada. Sou a mercadoria estragada na última prateleira da loja. E ninguém quer uma mercadoria danificada. “Desculpe, venho devolver esta menina. Parecia perfeita mas falta-lhe aqui o coração, está a ver? Está a ver este buraco? Troque-a por outra por favor. Esta já não presta”.
As pessoas são muito engraçadas. Têm mil cuidados com as jóias de família, com jarrões de porcelana chinesa, com vasos de cristal. E depois usam-se umas às outras como se fossemos bonecos de borracha ou feitos de material inquebrável. Não há nada mais frágil do que uma pessoa. Estraga-se com um simples toque, não vem com peças subselentes, e é absolutamente insubstituível.
A única virtualidade de o ver com ela, a olhar para ela como um dia olhou para mim, é a de me obrigar a baixar-me e a apanhar, um a um, os pedacinhos de coração caídos do chão. Depois, percorrer meio mundo procurando uma cola sucintamente forte para reparar corações. E quando finamente a encontrar reconstruir o puzzle.
Primeiro, porque precisamos de um coração cá dentro para pôr alguma ordem na casa, que isto de viver em piloto automático, mais dia menos dia, provoca uma acidente grave. Depois, porque se caminharmos a vida toda em bicos de pés com medo de nos magoarmos de novo vão-nos passar pessoas lindas ao lado, que tivemos medo de conhecer, não fosse uma das tais pontas aguçadas espetar-se de novo em nós.
Por todas estas razões vos garanto que um destes dias vou finamente encher o meu “buraco negro” com um aglomerado de coração. Preciso dele com urgência. Não quero que os pedacinhos aguçados se intrometam entre mim, aqui quietinha a um canto, e alguma coisa possivelmente fantástica que me esteja a acontecer.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Lamechices

Eu tenho a mania que sou imune à parte cor-de-rosa das relações. Aliás, eu e a Rocío costumamos brincar muito com isso, com as nossas diferenças nesse aspecto. Porque ela gosta de coisas do género de mãos dadas, de grandes declarações, de passarinhos a cantar e de coraçõezinhos pelo ar :). E eu, geralmente, tenho vontade de vomitar com essas coisas!!!! Já sabem, eu sou a tal que não perdoa, sequer, que me chamem bebé, linda ou fofinha! Agora se alguém alguma vez se atrevesse a chamar-me "mor"... Estava o caldo entornado!

Mas acabei agora mesmo um dia de trabalho e vim espreitar o blog. E recebi um comment bonito, anónimo é certo, mas bonito. E aqui a cínica até sorriu!!! Thanks.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Como Combater a Crise

Eu e a Rocío temos um plano para combater a nossa própria crise profissional e financeira! Aliás temos dois planos! O plano B, quando tudo o resto falar, é dançar sevilhanas pelas ruas desse mundo! O plano A, que na realidade foi congeminado depois do B, é o de editar um guia que alerte as mulheres para quais os sinais visíveis nos homens que lhes indicam automaticamente que devem fugir a quatro pés desses exemplares sem que seja necessário um conhecimento mais aprofundado dos mesmos!
O dito guia é, neste momento, work in progress, porque tudo isto nada tem de simples, minhas amigas. Ou seja, há sinais que aparentemente são importantes para algumas de nós e não para outras. E também já constatámos casos de homens que conseguem apresentar quatro e cinco sinais simultâneos, o que, evidentemente, aumenta a gravidade do caso!

Em todo o caso, deixo-vos um primeiro levantamento dos ditos sinais e agradeço os vossos contributos! A bem da sanidade mental de todas nós :):

-Usar bolsa a tiracolo (sim, sim, já todas sabem que esta indicação é minha);
- Ter como objectivo de vida a criação de galinhas;
- Usar meias brancas (sim, ainda há);
- Dançar salsa (desculpa Rocío!!!!!!!);
- Ser engenheiro informático (pelo menos até os ditos nos provarem o contrário);
- Dizer "prontos";
- Dizer "fizestes";
- Usar sapatos de vela (pior ainda se vier acompanhado de meias e corsários; lá está, a questão de mais do que um sinal aparecer em conjunto);
- Tratar as mulheres por "bebé";
- Aceitar comentários no hi5 a dizer como são lindos e bons e maravilhosos;
- Fazer comentários no hi5 a mulheres do género de "Whoowwwwwwww", "Adorava conhecer-te" (ainda dizem que o hi5 não serve para nada!!!!);
- Acelarar para nos mostrarem como o carro que conduzem é potente (pleeeeeeeeeease);

Agora meninas, ajudem-nos a completar a nossa lista! Todas juntas venceremos :)!

A alegoria da caverna

Um novo texto da Vera... Que me inspirou, por isso espero arranjar um tempinho para escrever sobre o mesmo tema esta semana!

“Eu só me vejo com um tipo que ande no ginásio. Olha para mim… achas que me poderia estar com alguém menos activo e mais fraco do que eu?”. Pois… bem pensado… com esse corpo… não te vejo com uma bola de sebo ao lado…
“Verinha, não admito sequer estar com alguém que não possa acompanhar-me aos restaurantes onde gosto de ir e nas férias a que estou habituada”. Mas claro que sim. Pois se tu gostas de comer rabo de boi (já viram o preço do rabo?) em restaurantes de estrelas Michelin e de passar férias em destinos paradisíacos, não me parece justo que te remetas a Mac’s com batas fritas e a uma tenda no parque de campismo de Alguidares de Baixo só porque o teu namorado vive com o salário mínimo.

Tenho pensado naquilo que eu espero da minha meia-laranja. Espero muito. Talvez demais. Mas até ao momento ainda não tinha conseguido individualizar a nota básica, o turn on total, aquilo que me põe de quatro e a arfar. Isto até ao dia em que, no contexto de uma conversa acerca dos meus planos de vida, referi que estranhava que alguns amigos não vissem as virtualidades do meu novo projecto pessoal. Eis senão quando (viciada digo-vos, estou viciada nesta expressão) “ele” se sai com esta: “Isso é como a alegoria da caverna. Eles não estão a ver mais longe”.
STOP
O “ele” referiu a alegoria da caverna??? De repente, o alarme anti-paixões soou na minha cabeça, no corpo todo (if you now what I mean…), na ponta dos pés inclusive. Já é bizarro que alguém conheça a alegoria da caverna. Mais ainda que esse alguém seja um menino. Mas verdadeiramente extraordinário é que seja um menino engenheiro. Sem desprimor para os próprios, note-se. Cerca de 80% do meu círculo de amizades responde por senhor engenheiro (ou senhor licenciado em engenharia, para reviver a encenação no nosso Primeiro). Mas, convenhamos, não são pessoas muito dadas a leituras filosóficas…
Ainda pensei que fosse mera coincidência. Que tivesse ouvido aquilo na rádio ou da boca de alguma miúda em cenário de engate. Mas alguns dias depois atira-me outra à cabeça (e ao coração): o sermão aos peixes do Padre António Vieira.
Fechem a boca. Eu também fechei a minha….depois de apanhar o queixo que na altura me tinha caído ao chão. Primeiro filosofia, agora literatura….o que virá a seguir?
Bailado. Não estou a inventar. Eu, que sou uma apaixonada por ballet clássico, lancei para o ar que gostava muito que ele me acompanhasse a um espectáculo de dança. Quase antevia que o “ele” iria recusar. Não me enganei. Mas recusou explicando que não apreciava ballet, não obstante reconhecer que Nureyev disponha de capacidades físicas extraordinárias. Um soco no estômago não me teria deixado mais abalada. O homem tinha encontrado a ranhura onde meter a moeda que me põe em andamento.

Não me compreendam mal. É claro que eu, que me esforço por combater a lei da gravidade no ginásio, também não me contento com tipos de barriga descaída e duplo queixo. Tão-pouco vejo como provável a assunção do cargo de
“pagadora oficial de contas” ou, em alternativa, conformar a minha vida aos padrões de tasca de 3.º e pensão de lençóis sujos porque o prazer de uma determinada companhia a isso impõe. Mas tudo pode acontecer na vida. Life is just like a box of chocolats, isn’t it?
Ainda assim, por via de princípio, procuro um par de bíceps, cartão de crédito, sentido de humor, 1.90m, experiência de vida, beijos molhados, bons valores sedimentados e tudo mais a que as princesas do conto de fadas têm direito. A este elenco de coisas impossíveis falta, porém, aquele que é o meu turn on fundamental, aquilo que me deixa ofegante e quase tonta: os dois dedos de testa.
As pessoas podem-nos cativar de muitas formas. Quando se fala de príncipes encantados a excitação pode provir dos mais pequenos detalhes, desde o levantar de uma sobrancelha ate um tique nervoso que o faz mexer a boca quando pensa. Tudo isso é lindo. Mas a alegoria da caverna foi o “click”. Nunca Platão imaginou que a sua parábola fosse hoje utilizada como critério identificativo de meias-laranjas. Obrigado por me fazeres sair da escuridão Platão. I see the light now.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Escova de dentes, lingerie, 40 pares de sapatos

Na quarta-feira de manhã, eu e a Vera estivemos ao telefone a falar de férias e de fins-de-semana fora. A Vera referiu, nessa altura, o stress que era para uma mulher fazer a mala, ao que eu respondi "devias escrever sobre isso"! E ela escreveu! Ou seja, esta semana ainda não tive inspiração para escrever, mas sempre dei um ideia, ok :)?

Este texto dirige-se a todas as Barbies deste mundo, que não saem de casa sem se olhar ao espelho e sem meter na bolsa o rouge para os lábios. E, convenhamos, para os metro também (onde incluo desde os decimetrosexuais até aos kilometrosexuais).
Aviso já: não me levem a sério. Aliás, nisso, sou como o Araújo Pereira (hum… paixão platónica): ninguém me leva a sério, nem mesmo eu. Mas leiam e reflictam.

Preparar uma mala de viagem é tarefa complicadíssima. Estou em crer que deveria haver pós ou masters sobre isto, porque de facto exige muito estudo e ponderação.
Primeira questão: que mala levar: um saco mais pequeno, que se possa pegar na mão, para não corrermos o risco de nos considerarem obcecadas pelos trapos? (não sei onde foram ver desta ideia…? … e aqui reviro os olhos) Ou antes um mala maior, de rodinhas, mais fácil de transportar, mas que nos marca com o estigma de aparênciodependente? É que o dito “saquinho” pode na verdade pesar quilos – o peso aumentará em directa proporção com a técnica de cada uma para enfiar muita traquitana (um must do calão) em pouco espaço – e lá teremos nós que pegar nele com o sorriso forçado de quem carrega o mundo disfarçado de pluma, dedos crispados e vergões nos braços. E esqueçam o andar sedutor… lá irão cambaleando estação fora, como eu fui do alto dos meus saltos vermelhos.
Segunda questão: adequação da indumentária à temperatura. O que parece simples pode, na verdade, tornar-se extremamente complicado sempre que a informação meteorológica da véspera não coincida com a cor do céu do próprio dia. E lá vamos nós desfazer o saco, tirar tudo cá para fora e delinear novo plano de vestuário. E quando digo tudo… é mesmo… tudo. Não apenas o trapinho em si mesmo, mas os respectivos anexos: sapatos, maquilhagem, bijutaria, roupa intima. Pois quem se lembraria de levar as mesmas sandálias cor-de-rosa, que tão lindas ficavam no vestidinho rosa e branco, para a fatiota preta e vermelha??? Please, be serious: rosa com preto e vermelho???? E o mesmo vale para os brincos rosa choque, para o batom rosa bebé, para a sombra rosa pálido…. Não tendo nós a sorte de reclamar o daltonismo (até nisso os meninos têm sorte: então não é que a maldita doença que nos livraria do pecado de misturar cores só afecta genes Y?). Nem se pense em usar um soutien preto por baixo da t-shirt branca… há que ter um mínimo de decência minhas senhoras.
Terceira questão: adequação da vestimenta às acções planeadas. Vamos caminhar pelo parque? Esquece as sandálias de 25 cm e leva antes as sabrinas. Praia? Nem te atrevas a ir dondoca e pega já nos shorts e, claro está, em 3 pares de bikinis, não vá o diabo tecê-las. Sair à noite? É óbvio que não há menina que leve para a noite a mesma roupinha que usou durante o dia, transpirada e já vista. Ao pôr-do-sol transformamo-nos em Cinderelas, saias curta e top brilhantes, eye liner e olhos fumados. Vale tudo! Menos usar o vestido que nos cobriu o dia inteiro, por mais elogiado que tenha sido.
Estas preocupações são especialmente prementes quando a companhia de viagem seja o mais que tudo. Eles não notam, é verdade. É-lhes indiferentes que andemos de avental ou com calças de bom corte. Estou até inclinada para pensar que a primeira opção lhes agradaria bem mais (ou nuas, melhor ainda). Dizem sempre que estamos bem sem sequer olhar para nós. Mas, se tudo isto é verdade (e eu confirmo) porque insistimos em mirabolantes planos de conjugação de cores e feitios para os impressionar? Pérolas a porcos? Talvez. Mas eu não jamais pensaria em fechar a minha malinha sem lingerie de vários tons, o estojo de make up e 10 pares de sapatos. Escova de dentes? Isso compra-se em qualquer sítio…

terça-feira, 9 de junho de 2009

A Menina Que Não Gosta de Rapazes

Vejam este vídeo que a Helena me mandou! E eu não tenho nada de nada a acrescentar!!!

http://videos.sapo.pt/b4LF9HWgY97CNBGcEY4S

segunda-feira, 8 de junho de 2009

“Sim, aceito ir contigo ao casamento… até que a morte nos separe”

A nossa colaboradora mais inspirada, a Vera, volta a 'atacar' com mais um texto!!!

As meninas crescem com o sonho de um dia um príncipe encantado num cavalo branco (na versão adequada aos tempos actuais: um tipo com emprego, com carro próprio e que tenha saído da casa dos pais) lhes sussurre ao ouvido “Sim, aceito casar-me contigo… até que a morte nos separe”.
Eu, que nunca vivi subjugada aos devaneios de me meter num vestidinho branco de cetim e folhos, fico-me por um anseio bem mais modesto mas igualmente complicado. Estou até em dizer que mais difícil que encontrar um noivo é encontrar acompanhante para um casamento. Um homem pode não se importar de meter a aliança no dedo, fingir ser fiel e pagar-nos as contas; mas quando se trata de engravatar-se e vestir a melhor fatiota para acompanhar à cerimónia (quase sempre entediante) uma menina que não lhes aporte nos pós-casamento nenhum benefício carnal já a história reza diferente.
Exagero? Deixo-vos os factos e digam de vossa justiça:
Estava eu em pleno encontro erótico com o meu sofá, ora me estendo para a direita ora me estendo para a esquerda, quando toca o telefone . Trimmmm!! (vamos usar o toque banal para escaparmos à dificuldade de imitar o som de um bebé a chorar… toque muito apreciado entre os admiradores do kitsch)
“blablabla.. meu casamento…blablabla..gostava muito que estivesses…blablabla… um dia muito feliz para nós”. Como compreenderão, tornou-se impossível recusar a minha presença. Mas logo nesse instante vislumbrei-me algumas dificuldades práticas…
“Então tenho aqui o convite para ti e para o Y” (chamemos-lhe assim para não ferir sensibilidades”
“Ah… eu e o Y terminámos há quase um ano”
“Então para o teu novo namorado”
“Princesa… não tenho. Sou uma mulher emancipada” (disse eu, para não ferir a minha sensibilidade)
“Deixa lá Verinha, vai haver muitos homens o casamento. Quem sabe não encontras lá um para ti”.
Pronto. Estava lançada às feras. Mulher sozinha (e desamparada?) apresenta-se em casamento povoado de homens. Mas a gota de água ocorreu na despedida de solteira. 48 horas a ouvir falar nas maravilhas das respectivas caras-metade: o que cozinham, se passam roupa ou não, onde foram nas férias, onde irão nas férias, e milhentos outros pormenores que só colhem o interesse de quem está apaixonada. Perante a minha ansiedade em dar por findo o fim-de-semana levantaram o sobrolho: “Estás com pressa??? Tens encontro com quem? “ (pois se eu não tenho namorado também não tenho encontros… óbvio… ). Lá expliquei pacientemente (enfim, com a paciência, ou a falta dela, que me é mundialmente reconhecida) que o tinha um tête a tête privado à minha espera em Coimbra, com o PC e vinte mil livros.
“És mesmo workaholic. Eu vou é passar o resto do Domingo a namorar”.
Eu também iria. Se tivesse com quem. Não tendo, fico-me pelo tête a tête. Mas nesse Domingo à noite decidi que não iria ao casório sozinha nem que a vaca tossisse. Ora, como as vacas não tossem, tinha mesmo que arranjar acompanhante.
Depois de muitas recusas – desde o funeral do peixinho até antecipações de doenças, tudo serviu de desculpa – a primeiro a cair na minha rede tentou, num súbito, coup d'état, enredar-me a mim: “O que era giro era que nos apaixonássemos no casamento”. Sabem aquele arrepio que nos percorre a espinha? Senti-o na altura. Antevi cenas embaraçosas em plena cerimónia, olhares melosos durante o jantar sob a mirada atenta dos meus pares (já referi que era um “casamento de trabalho”, cheio de coleguinhas e chefes?), dramas alimentados pelo álcool, telefonemas no dia seguinte…”Sabes que mais? Pensando bem vou sozinha. Eu sou feminista e tudo”.
Mas não ia. Claro que não. Como disse, as vacas não tossem. Novas negas. Novas desculpas, algumas envolvendo raptos alienígenas. A minha próxima vítima estava prestes a resolver-me o problema quando a quase-namorada deixou bem claro que nunca passaria do “quase” caso ele teimasse em acompanhar-te.
À beira do desespero uma alma caridosa consegue finalmente angariar-me companhia masculina no seio do seu leque de amigos. E lá fui eu. Eu e ele. E correu tudo bem. A melhor companhia que uma menina pode desejar. Sem pressões nem chantagens. E quando ele me disse “Sim, aceito ir contigo ao casamento”, senti-me a não noiva-mais feliz do mundo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Afinal, o problema não sou eu, é a demografia

Um texto da nossa Verinha:)

Várias vezes tenho divagado acerca da minha “solteireice patológica”. Não sendo especialmente feia, nem especialmente burra, nem especialmente pérfida, questiono-me porque estarei sozinha. E como a auto-comiseração sempre foi bom motivo para devorar mais uma caixa de chocolates chego sistematicamente à conclusão de que a culpa é, afinal, minha. Lá está… se eu fosse um bocadinho mais paciente. Um bocadinho mais tolerante. Um bocadinho mais transigente. Um bocadinho mais calma. Um bocadinho mais normal. Se soubesse danças de salão. Se fosse boa cozinheira. Se as minhas mamas fossem maiores. Se não fossem os piercings e as tatuagens. Se os não deixasse intimidados (remeto para um escrito anterior). Se…
Tantos “ses”! A certo ponto – lá pelas tantas da madrugada – chego ao ponto de pensar “se eu não fosse eu”. Mas se eu não fosse eu provavelmente não me colocaria estas questões filosóficas porque estaria demasiado ocupada a ser mulherzinha de algum mediocrezoide, com bigode de GNR mas sem os tais dois dedos de testa.
Há umas semanas vi a luz. Ou melhor, fui iluminada por uma mente brilhante que me explicou que a culpa meus senhores, não é minha, é da demografia.
Ou seja, não é a mim que deve ser assacada a responsabilidade de todas as Passagens de Ano a beijar a taça de champanhe à meia noite, de todas os dias de namorados a oferecer presentes a mim própria e de todos os abraços que dou aos meus joelhos… à falta de melhor zona corporal a que abraçar. Não, não é a mim, nem ao meu nariz empinado, nem aos meus desvarios. É a demografia. Parece - mas digo-vos isto com ares de dado cientifico - que, embora nasçam sensivelmente tantos meninos como meninas, dois factores perturbadores vieram arruinar a minha felicidade conjugal (ou a ausência dela): a) no percurso até à idade adulta morrem mais meninos que meninas; b) o numero de gays masculinos é bastante superior ao numero de lésbicas.
Ecco! I rest my case. Todas as vezes que o meu círculo de amigos me acusou de piquinhice excessiva no momento de aparelhar… estavam profundamente errados. Não sou demasiado exigente. Não tenho é um âmbito pessoal suficientemente alargado de escolha. Pois que culpa tenho eu que o gene Y sucumba mais facilmente a acidentes e doenças? Acaso posso dominar a genética? E que culpa tenho eu que parte substancial da população masculina prefira roçar-se numa pernoca peluda ao invés de se encostar à minha perninha depilada (com cera!)?
Em boa verdade, tudo isto conta com uma explicação científica e perfeitamente traduzível em termos matemáticos: se há menos meninos do que meninas em idade adulta, é óbvio que muitas de nós teremos, necessariamente, que ficar sozinhas. Quais? Bem, não será a Angelina Jolie certamente…
Tenho alguma solução? Bem, a única que vislumbro… hoje que são 4 da tarde de uma segunda feira de calor pachorrento, é igualarmos o numero de viventes masculinos. Para isso, só vejo duas hipóteses: ou nos atiramos de um 4.º andar ou damos uma voltinha pelo outro lado da sexualidade. O suicídio ou o lesbianismo como forma de reduzirmos o nosso número. Ora, tendo em conta que acho que sou demasiado gira para morrer espalmadinha no chão… e não digo mais nada.
Hoje vivo bem mais tranquila. Afinal, eu sou perfeita. A demografia é que não.

Rita aka Fofinha :)

Eu tenho uma amiga nova. A Rita Carmim. E esta minha amiga, é duplamente nova: é nova enquanto minha amiga, porque criámos proximidade e cumplicidade há relativamente pouco tempo, e é nova em idade, porque provavelmente é das pessoas mais novas que existem no meu círculo de amizades. Mas, apesar de ser novinha, é uma boa companhia, divertida, boa conversadora, óptima ouvinte e exímia (aposto que gostaste desta palavra, Rita!!!!) conselheira. Cinco estrelas, portanto. A única parte do facto de ser nova que poderá irritar ao comum dos mortais, é que a Rita, como se não bastasse ser linda e cheia de estilo, tem aquilo que eu e a Rocío chamamos um "corpo de meter nojo"! A rapariga é perfeita! Perfeita, perfeita! Há direito?!? Não há, com certeza que não há!
Ora, este fim-de-semana, decidimos ir em grupo até à praia. Eramos uma série de mulheres, entre as quais a Rita, e um homem, o Chico, namorado da Rita. E mal chegamos à praia, felizes pela estreia praiesca de 2009, ainda a inspirar o cheiro a maresia, a Rita diz qualquer coisa do género "Que bom, daqui a bocado podemos ir correr!". O que é que aconteceu? Gargalhada geral!!!! E todas nós tentámos justificar a nossa gargalhada com o facto de mais nenhuma de ter um perfil propriamente desportista, mas eu tenho que admitir que a verdade verdadinha é que a minha gargalhada (de nervosismo, minha gente, de nervosismo) resultou da imagem que me surgiu na cabeça de mim, com todas as minhas banhocas extra, a correr num local público, de bikini, ao lado da Rita. Socorro!!!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Mas Afinal, Porque Gostamos Mesmo Quando Eles Não Gostam o Suficiente???

Os teus olhos quando te ris. Os teus olhos quando estás sério. Os teus olhos. O teu sorriso. O sorriso mais autêntico. O facto de sorrires quando eu chego. As tuas mãos quando são suaves. As tuas mãos quando são firmes. As tuas mãos na minha cintura. A tua mão no meu cabelo. A tua mão no meu braço e a tua voz no meu ouvido "Isso é uma promessa?". A tua voz quando falas comigo. Os teus abraços. Os melhores abraços do mundo. A certeza de que se me tocares deixo de pensar. O facto de me abraçares para dormir. O facto de me abraçares quando dormes. Os encontrões que me dás quando caminhamos lado a lado. A tua forma de dançar. A tua forma de dançar encostado a mim. Tu a cantares a plenos pulmões. A cantares e a rires-te. E a fazeres-me rir. O facto de me fazeres rir tanto. As nossas private jokes. A química. A provocação. Termos uma canção. Termos duas canções (o facto de não te lembrares de quais são e de eu saber que não te lembras). Termos uma palavra mágica. A tua preocupação com o bem estar dos outros. A tua boa disposição crónica. O teu optimismo patológico. A tua simpatia.

Ou seja… ele não gosta o suficiente

Sentadas num daqueles sofás rígidos que se encontram em qualquer quarto de banho de centro comercial, eu e ela chorámos. Ela por ela. Eu por ela. Chorámos.
Ao nosso lado duas teens disfarçam-se de Paris Hilton em frente a um espelho enorme. Pessoas entram e saem. E nós ali, choramos.
Senti-me como um daqueles cowboys dos filmes que víamos em pequeninos, a olhar para o cavalo ferido, sabendo que o tem de abater. Não há opção possível. Entre vê-lo sofrer lentamente e matá-lo com uma bala na cabeça, cowboy que os tenha no sítio saca da arma e dispara. Assim me senti eu. E como quero crer que também os tenho no sítio, disparei: “Ele gosta de ti… só não quer ficar contigo”. Ou seja… ele não gosta assim tanto de ti. “E sabes que mais? (continuei) Provavelmente vai mesmo acabar por comer a tipa”. Dizer isto a uma das nossas pessoas preferidas é como perder o tal cavalo.
Depois de um almoço de gargalhadas, vê-lo a passar com outra foi como beber um copo de água gelado em momento de sensibilidade dentária. A dor. O arrepio. As lágrimas que nos chegam aos olhos. Levantámo-nos da mesa deixando o café a meio. De repente o Domingo de sol transformou-se numa 2.º feira chuvosa.
O ser humano é um bicho estranho. Ama, odeia, gosta mas não quer ficar. Todos nós já estimemos nesta situação de ser gostados (mas não “ficados”), bem como do lado oposto, de quem não gosta o suficiente. É que uma coisa é nutrir sentimentos por alguém, pensar na pessoa, e alimentar uma espécie de “consciência amorosa”, que englobe cafés aos domingos à tarde, idas ao cinema e telefonemas a altas horas da noite em busca de companhia. Coisa diferente é imaginarmo-nos com a criatura todos os dias do resto das nossas vidas, acordar com ela e adormecer com ela, partilhar desde os pensamentos mais íntimos até à escova de dentes. Esta última opção está reservada a uns quantos eleitos, não ao comum mortal.
O mesmo sucede com os gelados e eu. Gosto o suficiente para comer um dia sim dia não. Lambuzo-me com eles, lambo os dedos para saborear o que derreteu, desejo-os quando os não tenho. Mas não o suficiente para comprar uma geladeira, que me permitiria fazer os meus próprios gelados todos os dias e quase me alimentar disso. Gostava de apresentar uma comparação mais inteligente, com laivos filosóficos, mas esta foi a analogia que me veio à cabeça. …As lágrimas continuavam a correr-lhe pela cara quanto me abracei aos joelhos dela. De repente diz-me: “Quero ir para casa, leva-me a casa. Preciso dormir”. Levantei-me. Meti a arma no coldre. Puxei o meu chapéu. Afinal, o cavalo não estava morto, só precisava de fechar os olhos.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O engate da mesa ao lado

Mais uma crónica da Vera, que já tem uma lista de seguidores fiéis dos seus escritos :)!


Adoro putos. Não obstante, poucas coisas me incomodam mais do que estar calmamente a jantar num sítio bonito, com gente bonita, e ter que levar com o choro da criança da mesa ao lado. Estou prestes a fazer um abaixo-assinado que imponha aos restaurantes a obrigação de, ao lado do aviso que proíbe a entrada de animais, proibir igualmente a entrada de crianças cujos gritos atinjam certo nível de decibéis (cumpre referir que eu fui uma dessas crianças-sirene).
Mas, meus caros, descobri recentemente que ainda há praga pior que nos pode atormentar durante a refeição. Refiro-me ao “risinho”. O “risinho” é uma particularidade exclusivamente feminina, do qual fazemos uso numa situação muito própria: durante o engate. Não me compreendam mal. A mulher é um bicho multifacetado capaz de vários tipos, sons e entoações de risos e gargalhadas. Mas o “risinho” é aquela gargalhadinha histérica que lançamos para o ar em plena dança de sedução com qualquer macho menos precavido que tenha tido a desgraça de nos cair no goto.
Há poucos dias passei pela experiência de ter ouvir o “risinho” na mesa ao lado da minha em pleno restaurante desta cidade.
Assim reza a historia: estava eu no Itália, com uma das melhores companhias que poderia deseja para um jantar (sim Cat…tu), falando de coisas de mulheres, e lambuzando-se com alguma pasta de teor CLARAMENTE light. Eis senão quando (sempre quis utilizar esta expressão) ouço “hihihihi”…. Sim, assim mesmo! ”Hhihih”! Aquele pequeno gritinho que fica preso no ar mesmo quando a boca já se fechou. Um som estridente. Quase como giz a arranhar no quadro. Um ouvinte mais incauto pensaria tratar-se de um animal selvagem em lento sofrimento e agonia. Mas não eu, que já ando nesta vida há mais de 30 anos. Qual caçador atento em busca da sua presa, olhei em volta… e lá estava ela, escondida atrás da sua vitima, com olhar ameaçador. Os sinais distintivos saltavam à vista (tanto saltavam que um me bateu na testa): o mexer no cabelo enquanto se vai encaracolando a ponta do caracol; o agitar da cabeça para trás, tentando assim imitar o momento capilar de qualquer bom anúncio de shampô; a boquinha à Soraia Chaves, a qualquer momento pronta a perguntar “quer alguma coisa senhor padre?”, fazendo o biquinho mais mimado possível com os lábios; os olhos semi-cerrados, como uma autêntica assassina profissional.
Sim. É verdade. Estava perante um engate. A senhora era nitidamente amadora. Mas anda assim, um engate. O “risinho” é como o algodão... não engana. O pobre desgraçado lá se ia enredando nos bracinhos do polvo (da polva), na falsa suposição de que o sedutor era ele. Perdoais-lhe senhor, pois eles não sabem o que fazem nem o que lhes fazem!
Admito que passei o resto do jantar a criticar os pobres dotes da menina, a falsidade que dela emanava, o tom irritante do “risinho”, que parece ser uma das poucas coisas que me tira apetite.
Incomodou-me? Sim.
Porque ela era incomodativa? Sim.
Por mais algum outro motivo? Bem… a verdade é que naquela noite ela teve quem lhe aquecesse os pés e eu não.
Dor de cotovelo dói mais do que ficar com o piercing preso no fecho das calças, I tell you.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Portuguese Idol

Sabem qual foi o melhor concerto a que fui? Aquele que dei ontem com a Vera no carro dela! As duas a cantar canções tremendamente tristes e nostálgicas enquanto circulávamos por Coimbra! Lindo! Tão bom como este, só mesmo a Cristina e a Andreia a cantar em conjunto as canções do filme Dirty Dancing :)! Mas nem toda a gente se pode gabar de ter uma amiga com quem cantar... E que não tece críticas à nossa voz!

Aqui fica um exemplo do que cantámos...

Notícia de Última Hora


Ok, pelos vistos esta notícia não é assim tão de última hora! Eu é que não andava atenta! O Brad Pitt e a Angelina Jolie separaram-se!!!??? E ninguém me avisa? É certo que esta é uma notícia que trará alegrias a ambos os sexos, mas desculpem-me se eu me mantiver concentrada no mais importante: o Brad Pitt está novamente disponível!!! Um homem adulto, na casa dos quarenta, lindo, lindo apesar de louro, lindo mesmo com rugas, atraente, inteligente, sem medo de compromissos! Disponível!!! Imagino que não por muito tempo, é certo... Hum... Alguém tem um plano que me faça tropeçar no homem? Please?

sexta-feira, 15 de maio de 2009

(Tristes) Tendências Primavera-Verão

Hoje, quando ía para o trabalho, passei, como passo sempre, por uma zona de estacionamento onde tive a sorte de ver sair de um carro um homem bastante bonito! E digo sorte porque, como está mais do que debatido entre mim e as mulheres minhas amigas, em Coimbra quase não há homens bonitos!!! Mas este era realmente bonito. E eu fiquei feliz, porque toda a gente sabe como os dias se tornam mais fáceis de suportar quando temos oportunidade de descansar os olhos! E enquanto eu descansava os olhos, este homem debruçou-se (mais descanso da visão) para dentro do carro e saiu de lá com... uma pochete!!! Ó senhores!!! Uma pochete!!! Agora expliquem-me que praga é esta, que já uma mulher não consegue sair à rua sem ter que ver dezenas e dezenas de homens com a sua bela carteira a tiracolo. Mas serei só eu a achar que um homem de pochete é a coisa menos masculina e sensual que pode caminhar sobre a face da terra??? Quando vejo uma alça a cruzar as costas de um homem, a não ser que a dita alça revele pertencer a uma máquina fotográfica, já nem preciso de ver a cara, os olhos, o corpo, para saber que qualquer grama de química que pudesse surgir, foi tristemente assassinada à nascença...

Just another blond girl in Germany (ideias soltas sobre a experiência alemã)

A Vera voltou da Alemanha com mais um contributo para o blog :)! Que alguém ande inspirado!!!

(Como já começa a ser hábito escrever estas crónicas do avião, cá vai mais uma elaborada no plano aéreo)

Por motivos de trabalho tive que me deslocar a Colónia. Contrafeita, devo dizer. Não sou fã da Alemanha, nem de alemães, nem da língua, nem de bratwurst, nem de nada, digamos assim. Aqui, de onde vos escrevo, mordo a língua por tudo o que disse. Até fazer sangue. Porque estava redondamente enganada e cheia de falsas convicções…
A primeira surpresa desta viagem foi a lista de pessoas simpáticas que fui encontrando pelo caminho. Um dos motivos pelos quais continuo a gostar tanto de viajar prende-se com o facto de sempre encontrar pessoas gentis, que estão dispostas a alterar os seus planos para me encaixar a mim. Em Colónia houve quem se desviasse do caminho de casa para me indicar uma morada; um professor conseguiu incluir-se na sua pesada agenda; uma nova amiga arranjou tempo para me mostrar a cidade. Tenho tido a sorte de me cair em cima sempre o que há de melhor nas pessoas, incluindo os alemãs (e ainda estou só na parte espiritual).
Apesar dos meus preconceitos com carnes vermelhas, lá acabei por experimentar a especialidade da casa: carne de porco fumada com cerveja alemã. Aquilo que num primeiro pensamento me daria náuseas soube-me, efectivamente, bem. Aliás, toda a comida alemã me soube bem. À minha boca e à minha anca, diga-se de passagem. Mordo a língua por todas as vezes que amaldiçoei cerveja….
Outro mito que caiu por terra foi o da suposta beleza das meninas. Minhas amigas – ressalvando as inegáveis excepções – falo-vos de criaturas feias, de gosto duvidoso e, eis aqui a melhor parte, muitas delas rodas baixas e ancas largas… just like us! Sim, a Claudia Schiffer não é, de todo, a alemã típica.
De tanto morder a língua, falo agora na língua. Até hoje resisti heroicamente a aprender alemão. Enfim, mantenho as aparências. Increvo-me em aulas, onde não vou, compro dicionários que não folheio, e agora até me deu para pagar traduções particulares que cada mês me deixam a conta bancária mais ínfima. Isto porque sempre achei o alemão um idioma bárbaro, duro, ríspido. De repente, a suavidade daquelas sílabas indecifráveis enchem-me os ouvidos. Quase estou pronto a ler a filosfia kantiana e heideggeriana na sua versão original.
Depois, o fantasma do nazismo. Acho que foi esse o principal motivo que tanto me fazia desgostar do povo. Mas todas as sociedades têm os seus momentos negros, e não vale a pena fustigarmo-nos eternamente pelos pecados dos pais. Devo até dizer que o povo, no geral, me pareceu um pouco tonto. No bom sentido, leia-se. Como aquele colega nerd, de óculos e borbulhas, que é o melhor da turma mas teima em esbarrar nos vidros. Custa a crer que tenham tido a pretensão de dominar o mundo. E, de novo, mordi a língua.
Mas a dentada que encerrará estas breves reflexões é mesmo daquelas de fazer sangue. Porque a gaffe em que incorre até ao momento em que finalmente vi a claridade era imensa. Assumo que sempre achei os cavalheiros alemães pouco interessantes. Demasiado pálidos. Demasiado sonsos. Demasiado sem-graça. Nada que se comparasse à lábia e ar gingão do macho lusitano. Minhas senhora, bastou sentar-me numa esplanada para descobrir ali maravilhas nunca antes vistas nesta nossa varanda para o Atlântico. Devo dizer que, das muitas vezes que me lamentava ao meu orientador sobre as dificuldades em aprender alemão, ele me respondia sempre, paternalisticamente: “Sabe, alemão só se aprende de duas formas: ou pelo berço (refere-se o senhor ao facto de se nascer alemão) ou por almofada (nem explico a que se refere…)”. E repetidamente tenho respondido: “Senhor Doutor, tendo em conta que eu já nasci há uns anos e que os alemães são tão feiinhos, morrerei ignorante”. Feiinhos? Agora é que mordo mesmo a língua! Ein deutch man für mich, bitte!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

The Nightmare Before Beach :)

Há dias em que o sol a brilhar, os pássaros a chilrear e as flores a desabrochar nos fazem sorrir embevecidos! Qualquer coisa nos faz agradecer o facto de estarmos a viver o dia presente! E depois, há os dias em que preferíamos não ter saído da cama!!! Porque nesses dias sentimos o sofrimento mais atroz a que uma mulher pode ser sujeita! Bem, pelo menos uma mulher que não tem filhos e que portanto não pode falar dessa experência... Esses são os dias em que, de mãos suadas e com o batimento cardíaco no seu máximo entramos na esteticista... para fazer a depilação!!! Só vos digo que estou certa de que há sítios do nosso corpo que gostariam de nunca ter conhecido a cera... Ai...

sábado, 2 de maio de 2009

“Mesa para um, por favor”

Vejam as considerações que a Vera Lúcia partilhou connosco a partir do México!.


Sentada no avião, reflicto sobre esta última semana. Designação oficial: deslocação com vista à participação numa prestigiada conferência internacional. Designação que ficaram para a história: uma semana de férias num dos hot spot do planeta, com tudo pago. Senão: viajei sozinha.
Uma coisa é estar sozinha num sitio entediante e de foro semi-intelectual, como Colónia ou Toulouse. Coisa distinta é estar sozinha na suposta “puta da loucura”.
O primeiro grande desafio está logo no pequeno-almoço do hotel. “Mesa para um, por favor!”. Acreditem, nada despertará mais a simpatia e complacência geral do que uma menina sozinha a empacotar todas as amostras do buffet, enquanto olha em volta e observa. Porque, na verdade, quando se está sozinho, não restam muitas opções senão observar o que se passa. Entre bisbilhotar a vida dos vizinhos de mesa e convidar o empregado a sentar-se comigo, optei pela 1.ª hipótese.
Não é novidade que estar sozinha engorda. Não apenas porque, ao não ter com quem dividir o prato, me sinto quase forçada a meter cá para dentro tudo o que servem. Não apenas porque os doces são substitutos de muitos bens de primeira necessidade, Mas sobretudo porque quando enfiam o meu 1,63m numa quarto duplo com duas camas gigante é óbvio que as senhoras da limpeza deduzirão existe um misteriosa presença masculina a partilhar comigo todo aquele espaço, e teimam em deixar um chocolatinho em cada almofada. Desnecessário dizer que como os dois, para não estragar a ilusão de que ali está mais alguém.
A praia é outro desafio. Quanto nos fartamos de caminhar, entrar e sair da água, ou inventar súbitos interesses na linha do horizonte, só resta mesmo ler revistas femininas. Nunca estive tão a par das últimas modas como desde que me falta interlocutor para as pachorrentas conversas de praia. Posso não ter um homem para me adornar o braço, mas discuto ao mais alto nível as mais trendys tendências da estação, seja para braços, seja para pernas. É certo que as meninas estão mais que aptas para ler filosofia existencialista de Sarte, mas tenho para mim que essa é mais leitura de quarto de banho, enquanto a espreguiçadeira se coaduna melhor com o literatura sacarina, que até pode fazer mal mas pelo menos não engorda a dor da cabeça de meses de trabalho.
Esta viagem de avião, em si mesma, também não agoura coisa boa. É sabido, quem se arrisca a viajar só, se põe a jeito de ter a seu lado sentado um coscuvilheiro, um fanático religioso ou qualquer outras dessas espécies raras que miraculosamente se sentam a mim, sobretudo, juntos dos meus ouvidos. O próprio processo de embarcar e desembarcar pede dois braços fortes e peludos para carregar com as malas e guardá-las enquanto retocamos maquilhagem no quarto de banho.
Pergunto eu: porque é que o mundo está feito para dois? Porque não também para um ou par três? Será que o clássico menage perdeu posição nesta socialidade acassalada? Porque é que os quartos de hotel, as mesas de restaurante e os rins são pensados aos pares? Será dois melhor que um? Será que não devemos inventar o dia dos encalhados, para disputar lugar com o dia dos namorados? Será que desafio a ordem geral das coisas ao pedir para um no restaurante? Não sei. E também não tenho aqui um namorado com quem possa discutir estas questões existenciais.
Muitas da vós, portadoras da voz da razão, estão agora a comentar que a vida sem um homem bem poderá ser mais “agradável” do que a vida com ele, com menos desgostos e dores de cabeça. Mas, afinal, quem disse que eu almejava por uma vida tranquila?
The end
(fecho o PC e levanto-me da minha mesa para um).