sábado, 22 de agosto de 2009

AFINAL, EU JÁ TENHO 33

Reencontrei há pouco uma amiga de longa data, e no meio das usuais conversas de meninas que não se vêm há milénios lá me confidencia ela que pinta o cabelo para esconder os brancos (convenhamos… tirando o Gere e o Clooney, o comum mortal não fica lindo esbranquiçado), ao que eu respondi, com alguma mágoa - e porque não dizê-lo? Comiseração – na voz: “Afinal, já temos 33!”.

E depois parei. Porque, em última instância, what a fuck does it mean? Sim, meus senhores, que raio significa hoje ter 33 anos? No tempo das nossas mães significava estar casada, ter filhos (no caso da minha mamã tinha-me a mim já bem crescidinha), ser uma senhora recatada, com saia direita e escura pelo joelho e serões em frente às novelas enquanto se fazia crochet ou tricot. Não que por essa altura não circulasse já por certos labirintos sociais o mito das trintonas (uuuuuu!), sex-symbols mais ou menos bem conservados que as actrizes e as vizinhas do lado foram fomentando. Mas era eram, no essencial, uma sentença de morte.

Quanto a mim, não me imagino assim nem quando for sessentona. Porque os meus 33, os teus, os nossos, são diferentes. A minha mãe morre um bocadinho de cada vez que vê as minhas (mico)mini-saias. Que já não sou uma miúda, diz ela. Que me devia comportar como uma senhora, acrescenta. Que tenho responsabilidades profissionais, reforça. E eu? Eu encolho os ombros, dispo a saia e visto uns calções ainda mais curtos. A questão, my dear friends, é a seguinte: que culpa tenho eu de ainda ter pernas giras para mostrar? Pois se hoje os ginásios, os cremes e uma nova percepção da existência feminina, permitem que usemos quase ad eternum as saias que as nossas mães só vestiram nos seus tempos de teen (e note-se que a minha abusava da mini-mini, de modo que isto é genético), porque me hei-de confinar a ser uma “senhora”, seja lá o que isso signifique? O tempo há-de chegar, não o apressem.

No fundo, hoje os 30 são os 20 de ontem. E os 40 os 30. E os 40 os 50, and so on. Basicmanrte, é como se as gerações tivessem recuado uma década na tentativa (quiçá frustrada) de driblar o tempo e o envelhecimento. Somo o CR9 (ex-CR7) a contornar adversários, com a sorte de o fazermos melhor do que ele ainda.

De facto, hoje vivemos a perpetuação dos eternos 20 anos. Roupa a mostrar pele, sapatilhas rotas, calças rasgadas, copos e noitadas, saltar da cama às tantas. Porquê? Porque não temos a responsabilidade de um bebé a chorar ou de um marido a querer o pequeno –almoço. E mesmo quando a temos dávamos a volta à coisa. Um grande bravo a todos os papás e mamãs que eu conheço que continuam a namorar e a sair, sem isso esquecer os biberões e as mudanças de fraldas. O que não significa irresponsabilidade. A tão falada “geração rasca” veio a revelar-se responsável, competitiva e produtiva. As aparências enganam, não é avó?

2 comentários:

  1. Tânia Cunha23/08/09, 14:39

    Acho que é passa muito por isso mesmo: hoje não estamos presos/as a esteriótipos de há 30 anos e aquela ideia de ficar enclausurada em casa a criar filhos é já em muito ultrapassada... Eu, que ando sempre com os meus dois a reboque, faço tudo menos isso, porque até a forma de criar os miúdos mudou de uma maneira bem interessante . A ideia de não se poder fazer x ou y coisa por causa dos miúdos tem cada vez menos sentido, salvo algumas óbvias excepções. Somos, sobretudo, parece-me, uma geração mais pragmática e menos presa a ideias preconcebidas. E isso parece-me muito bom...

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  2. E eu invejo esses teus reboques Tânia, caríssima coleguinha de orais.

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